
Neste sábado (16), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de um ato que marcou as duas décadas dos Crimes de Maio, uma sequência de ataques perpetrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que resultou em uma retaliação policial com mais de 500 vítimas fatais em todo o estado. As mortes, muitas vezes com indícios de execução, levantam questões sobre a atuação das forças policiais.
Ato Organizado pelo Movimento Mães de Maio e Cordão da Mentira
O evento, que contou com música e batuque, foi promovido pelo Movimento Mães de Maio em colaboração com o Cordão da Mentira, um bloco carnavalesco criado em 2012, que visa expor e criticar as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura civil-militar.
A manifestação não apenas lembrou os Crimes de Maio, mas também uniu diferentes vozes, incluindo palestinos que protestavam contra a Catástrofe Palestina (Nakba), que marca 78 anos de deslocamento forçado de palestinos com a formação do Estado de Israel.
A Importância do Cordão da Mentira
Tradicionalmente, o Cordão da Mentira realiza sua manifestação no dia 1º de abril, em alusão ao Dia da Mentira e ao golpe militar de 1964. Contudo, este ano, o bloco decidiu sair novamente às ruas para homenagear os 20 anos dos Crimes de Maio, que seguem sem responsabilizações.
O comunicado do ato ressalta que “nosso cortejo é denúncia, é memória viva, é grito coletivo contra o esquecimento e a injustiça”. Thiago Mendonça, diretor de cinema e coordenador do bloco, explica que sua origem remonta a um movimento de sambistas que perceberam a presença de indivíduos envolvidos na repressão em seus espaços.
União das Lutas: Crimes de Maio e a Causa Palestina
Este ano, o Cordão da Mentira e o Movimento Mães de Maio unificaram suas vozes com a luta palestina. Mendonça observa que “a estrutura toda de repressão de Israel se reflete na máquina de opressão da polícia brasileira”.
Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio, enfatizou a relevância do ato ao afirmar que o Cordão é fundamental para a continuidade da luta durante todo o ano. Ela, que perdeu um filho durante os Crimes de Maio, destacou que “a bala que cai lá também cai aqui” em referência à violência policial que atinge as periferias brasileiras.
Impacto dos Crimes de Maio
De acordo com o relatório do Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os Crimes de Maio resultaram na morte de pelo menos 564 pessoas, sendo a maioria civis. O documento aponta que 505 eram civis e 59, agentes públicos, com uma significativa parte das vítimas sendo jovens, negros e pobres.
Mendonça ressalta que os Crimes de Maio são um dos maiores massacres urbanos da história do Brasil e que, neste ano, mais de 60 mães de vítimas de violência se juntaram ao Cordão, destacando a urgência do debate sobre a violência no país.
O ato começou no Parque Trianon, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu em caminhada até o Al Janiah, um restaurante e centro cultural.
