
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a caminho de Évian-les-Bains, na França, para integrar a Cúpula do G7 como convidado. Este encontro reúne as sete nações mais industrializadas globalmente e a União Europeia como participante institucional. Esta será a décima ocasião em que o chefe de Estado brasileiro marca presença no fórum ao longo de suas três gestões.
Relações com os Estados Unidos em Pauta
Uma das principais atenções na agenda presidencial recai sobre um potencial diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A possível interação acontece em um cenário de renovadas tensões bilaterais, que se acentuaram após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sugerir a imposição de uma tarifa de 25% sobre certas importações brasileiras.
Essa recomendação do USTR surgiu de uma investigação iniciada há aproximadamente um ano, na qual o governo Trump alegava “práticas comerciais desleais” por parte do Brasil. Entre os argumentos para a medida, a instituição chegou a apontar que o sistema de pagamentos Pix estaria prejudicando injustamente empresas norte-americanas de serviços eletrônicos, como as operadoras de cartões de crédito MasterCard e Visa, além do WhatsApp Pay.
Até o momento, não há confirmação de um encontro bilateral formal entre os dois líderes na França. O último contato oficial ocorreu na Casa Branca, em Washington, no início de maio, onde, conforme declarações de Lula, foi acordado que equipes de ambos os governos trabalhariam em uma proposta para solucionar o impasse sobre as tarifas de exportação e a investigação do USTR, mas sem avanços concretos até agora.
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que ocupa a Secretaria de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), declarou a jornalistas que, embora um encontro direto não esteja garantido, “os contatos com os Estados Unidos prosseguem de forma intensa e contínua”.
Além das questões comerciais, este será o primeiro contato entre os presidentes após a recente classificação formal do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) pelo governo norte-americano. O Brasil havia manifestado preocupação e tentado evitar essa designação nos meses anteriores, temendo a abertura de precedentes para ações militares ou a aplicação de sanções econômicas e financeiras pelos EUA.
Veto Europeu a Produtos Brasileiros
Paralelamente às discussões com os Estados Unidos, a viagem do presidente Lula ao G7 também direciona o olhar para as relações com a União Europeia. Recentemente, o bloco europeu confirmou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel provenientes do Brasil. Tal veto tem sua efetivação marcada para o dia 3 de setembro.
Essa medida, anunciada semanas após a implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, foi oficializada em um documento publicado no Diário Oficial em 5 de junho, removendo o Brasil da lista de nações habilitadas a exportar esses produtos para o mercado europeu.
Assim como no cenário americano, ainda não há previsão de uma reunião bilateral entre o presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough reiterou o posicionamento brasileiro, expressando “certa surpresa com a forma” como a decisão foi comunicada e a “preocupação” do governo com as recentes deliberações da UE, indicando que o tema será abordado em eventuais discussões.
Agenda Bilateral e Futuros Acordos
Em contraste com as incertezas sobre as reuniões com os líderes dos EUA e da União Europeia, um encontro bilateral confirmado para o presidente Lula é com Sanae Takaichi, identificada como a futura primeira-ministra do Japão, com posse prevista para outubro de 2025. Este será o primeiro encontro oficial entre eles e há expectativas para iniciar conversações sobre um futuro pacto comercial entre o Japão e o Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A Cúpula do G7 deste ano, sob a presidência da França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, outros países importantes como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito também foram convidados para participar das deliberações.
