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Descoberta de possível petróleo em poço raso no Ceará surpreende técnicos da ANP

G1

Recentemente, uma equipe da Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou a primeira visita ao local onde um agricultor, durante a perfuração do solo em busca de água, pode ter encontrado petróleo em Tabuleiro do Norte, Ceará. O fato, ocorrido na última quinta-feira (12), gerou surpresa entre os especialistas, já que a presença de substâncias similares ao petróleo em profundidades rasas, como 40 metros, é incomum.

O agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, relatou que, ao invés de água, encontrou um líquido denso, escuro e com odor característico de combustível. Ele perfurou dois poços em sua propriedade devido à dificuldade de acesso à água encanada.

Análise do achado e próximos passos

Ildeson Prates Bastos, superintendente da ANP, destacou que o fenômeno observado não se deve ao processo natural de exsudação, que ocorre quando o petróleo atinge a superfície. Segundo ele, a profundidade da perfuração é muito inferior ao que normalmente se realiza na exploração de petróleo e gás.

A substância foi identificada pela primeira vez em novembro de 2024, e a família do agricultor notificou a ANP sobre a possível descoberta em julho de 2025. Desde então, aguardavam uma visita técnica que finalmente ocorreu.

Na visita, os técnicos da ANP examinaram o poço, mas não coletaram amostras no local. Em vez disso, levaram uma amostra previamente coletada pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que já analisava o caso. Testes realizados pelo IFCE indicaram que as características físico-químicas do líquido são semelhantes às do petróleo encontrado em jazidas do Rio Grande do Norte.

A ANP confirmou que a propriedade de Sidrônio está situada na bacia sedimentar de Potiguar, mas enfatizou que apenas análises mais detalhadas poderão determinar se o líquido é realmente petróleo. O agricultor deverá isolar a área e evitar contato com a substância, que pode ser tóxica, e não pode perfurar novos poços, complicando ainda mais o acesso à água.

Embora o local esteja próximo a campos petrolíferos conhecidos, a confirmação da presença de petróleo requer testes específicos. O superintendente da ANP apontou que, apesar do espanto inicial, a agência já lidou com situações semelhantes anteriormente, algumas das quais confirmaram a existência de petróleo, enquanto outras se revelaram acúmulos pequenos e não comercializáveis.

Possíveis implicações financeiras para o agricultor

Caso a presença de petróleo seja confirmada, a situação financeira do agricultor se torna complexa. A Constituição Federal estabelece que o subsolo e seus recursos, incluindo o petróleo e o gás, pertencem à União, o que significa que Sidrônio não será o proprietário do petróleo encontrado.

Entretanto, caso a exploração comercial seja viável, o proprietário da terra poderá receber uma compensação financeira, que é garantida por lei e pode chegar a até 1% da receita, dependendo de diversos fatores. Isso implica que, embora não tenha a titularidade do recurso, Sidrônio pode ter um retorno financeiro se a exploração se confirmar.

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