PUBLICIDADE

Dólar inicia o dia em leve queda com a inflação em alta e expectativas sobre negociações entre EUA e Irã

Vanderlei Almeida/AFP

Nesta sexta-feira (10), o dólar registrou uma leve queda ao abrir o dia, enquanto investidores analisam os recentes dados de inflação do Brasil e acompanham os desdobramentos das negociações de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Dados de inflação e seu impacto no mercado

De acordo com informações divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), subiu para 0,88% em março, em comparação com 0,70% em fevereiro.

Os aumentos nos grupos de transportes, que teve alta de 1,64%, e alimentação e bebidas, com 1,56%, foram os principais responsáveis pela elevação do índice, respondendo juntos por 76% do IPCA registrado no último mês.

Às 9h07, a cotação do dólar caiu 0,26%, sendo negociada a R$ 5,0494. No dia anterior, a moeda fechou em baixa de 0,77%, a R$ 5,062. Em contraste, a Bolsa de Valores apresentou uma alta de 1,52%, alcançando 195.129 pontos.

Esse valor representa o menor patamar do dólar desde 9 de abril de 2024, quando foi encerrado a R$ 5,009. Além disso, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, também atingiu patamares recordes ao ultrapassar os 195 mil pontos.

O desempenho positivo do mercado é atribuído ao fluxo de investimentos direcionados para países emergentes, impulsionado pela expectativa de um cessar-fogo entre EUA e Irã, que trouxe otimismo aos investidores.

Esse movimento no mercado é similar ao observado na quarta-feira (8), onde o Ibovespa também alcançou novas máximas, refletindo a continuidade da tendência positiva nas negociações.

As discussões de trégua entre os dois países, que foram iniciadas na terça-feira (7), geraram expectativas de um acordo definitivo, aliviando o cenário geopolítico que impactava os mercados.

Após declarações contundentes do ex-presidente Donald Trump, que ameaçou ações severas contra o Irã, um recuo das tensões foi observado com a aceitação de uma proposta de cessar-fogo de duas semanas, mediada pelo Paquistão.

Esse cessar-fogo também envolve a reabertura do estreito de Hormuz, uma rota crucial para cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a trégua promove a busca por ativos de maior risco, após um período de elevada volatilidade, e contribui para a redução das taxas de câmbio ao desmontar algumas posições defensivas no mercado.

Lucca Bezzon, especialista da StoneX, ressalta que a continuidade da desvalorização do dólar é incerta, mas observa que a trégua está influenciando uma queda global da moeda, destacando o real como uma das moedas com melhor desempenho no cenário atual.

O ambiente mais calmo no cenário geopolítico pode resultar em um dólar mais fraco, o que geralmente favorece moedas emergentes, como o real.

No pregão de quinta-feira, o dólar retornou a níveis anteriores ao início do conflito no Oriente Médio. Em fevereiro, a moeda estava cotada a R$ 5,124, um dos fechamentos mais baixos do ano.

A sinalização de trégua é vista como benéfica para o mercado brasileiro e para outras economias emergentes. Além do real, outras moedas, como o peso mexicano e chileno, assim como o rand sul-africano e o rublo russo, também mostraram valorização.

Analistas indicam um aumento no fluxo de investimentos estrangeiros no Brasil, que havia se intensificado no início do ano, mas foi interrompido pelo conflito global.

Esse movimento de investidores internacionais está ligado a uma maior diversificação de portfólios, impulsionada, entre outros fatores, pelos receios relacionados à condução geopolítica da administração Trump.

Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, afirma que o fluxo para emergentes tem sido uma tendência crescente desde o final do ano anterior, sendo impulsionada por sinais de resolução de conflitos.

O atual patamar de juros no Brasil, fixado em 14,75%, também favorece a atração de capital, tornando as operações de ‘carry trade’ mais atrativas.

Nessas operações, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os EUA, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando lucro com a diferença de juros.

A menor exposição do Brasil ao conflito no Oriente Médio também é um fator positivo, aumentando o apelo do país para investidores que buscam retornos com menos riscos geopolíticos.

Entretanto, a situação ainda apresenta incertezas, especialmente após o anúncio do governo de Israel sobre a abertura de negociações com o Líbano, em resposta a ameaças do Irã de abandonar a trégua.

Leia mais

PUBLICIDADE