
Uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) foi deflagrada nesta quinta-feira (17/9) para desarticular uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Intitulada Operação Vectura Corrupta, a investigação tem como um de seus alvos o ex-vereador e antigo presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, que atualmente preside o União Brasil no estado.
Perfil Político e Destaque na Capital
Com sete mandatos consecutivos como vereador e quase três décadas dedicadas à vida pública, Milton Leite é reconhecido como uma figura influente no cenário político paulistano. Ele ingressou na Câmara Municipal em 1997 e foi reeleito em todas as disputas seguintes, nos anos 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020. Nas eleições de 2016 e 2020, destacou-se como o segundo vereador mais votado em todo o Brasil. Leite presidiu a Câmara Municipal em dois períodos: de 2017 a 2018 e, posteriormente, de 2021 a 2024.
Em julho de 2024, o político anunciou sua decisão de não buscar a reeleição, declarando que já havia oferecido sua “contribuição para a sociedade”. Atualmente, ele desempenha a função de presidente do diretório do União Brasil na capital.
Posicionamento e Defesa do Ex-Vereador
Milton Leite nega qualquer conexão com o PCC. Ele explicou que suas participações em reuniões sobre transportes estavam ligadas à sua função como vice-prefeito, sendo uma designação do então prefeito Bruno Covas para solucionar questões do setor.
Sobre sua ausência no dia da operação, Leite afirmou não estar foragido. Ele detalhou que tinha uma viagem programada para o interior de São Paulo, com o objetivo de apoiar as campanhas eleitorais de seus filhos: Milton Leite Filho, que concorre à Câmara dos Deputados, e Alexandre Leite, que busca uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O ex-vereador mencionou que coincidiu com um período em que sua esposa não estava no Brasil.
O político assegurou que irá se apresentar às autoridades em até 24 horas. “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, declarou.
Acusações Anteriores e Depoimentos
As alegações contra Milton Leite não são inéditas. Em fevereiro de 2026, o 2º sargento da Polícia Militar Alexandre Aleixo Romano Cezário, que havia sido detido naquele mês, afirmou em depoimento à Corregedoria da corporação que o ex-vereador seria o proprietário da Transwolff, empresa de transporte coletivo sob investigação por supostamente lavar dinheiro para o PCC. Segundo o sargento, os demais diretores da companhia atuariam como “laranjas” na gestão.
A prisão de Cezário ocorreu em meio a uma operação direcionada a agentes que prestavam segurança pessoal a Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, apelidado de Té, ambos ex-diretores da Transwolff. Na mesma ação, o capitão Alexandre Paulino Vieira, que trabalhava como segurança particular de Milton Leite, também foi preso.
No depoimento à Corregedoria, Cezário indicou que o capitão Alexandre assumiu a liderança da equipe de segurança dos diretores da Transwolff por intermédio do vereador, que na época era presidente da Câmara Municipal. O oficial desempenhava a função de assessor militar da Câmara e atuava diretamente com Milton Leite. Cezário afirmou ter “ouvido dizer” sobre a ligação de Milton Leite com a Transwolff, mas ressalvou não ter provas.
Em resposta a acusações anteriores, o ex-vereador havia negado conhecer o sargento e ser o dono da Transwolff. Na ocasião, ele afirmou: “Asseguro que não conheço o segundo-sargento mencionado e o que ele afirma é uma mentira. A verdade é que, de livre e espontânea vontade, ofereci meus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Ministério Público quando estas mesmas mentiras foram ditas dois anos atrás. E nada foi encontrado, pois não sou dono de tal empresa nem participei de nenhuma ilegalidade”.
