
O artista gaúcho Caru Brandi, que se identifica como transmasculino e não-binário, faz sua estreia em uma exposição individual no Rio de Janeiro, um evento que, segundo ele, é crucial para a visibilidade da cultura trans. A mostra, intitulada ‘Fabulações Transviadas’, estará em exibição até o dia 22 de abril no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), localizado no Catete, zona sul do Rio.
Significado da Exposição para a Comunidade Trans
Brandi expressa sua satisfação por ser o primeiro artista trans a expor neste espaço, considerando isso uma conquista significativa para a comunidade trans. Em conversa com a Agência Brasil, ele destacou a importância de que essa iniciativa inspire outras instituições no Rio de Janeiro a adotarem políticas semelhantes.
O artista também manifestou contentamento por ter a oportunidade de apresentar suas obras em um local que promove uma nova perspectiva sobre a arte a partir dos saberes trans. Ele enfatizou que esta é a primeira vez que um projeto o convida para uma exposição fora de sua cidade natal, Porto Alegre.
Obras em Exibição e Acesso ao Público
A exposição reúne trabalhos do acervo de Brandi, além de peças criadas especialmente para a Sala do Artista Popular. As obras incluem cerâmicas e pinturas que abordam de forma lúdica e crítica a temática da transição de gênero. As visitas podem ser feitas de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e nos fins de semana e feriados, das 11h às 17h, com entrada gratuita.
Trajetória Artística de Caru Brandi
Inicialmente, Caru Brandi expressava sua arte por meio da tatuagem, mas, após iniciar seu processo de transição de gênero em 2018 e se conectar com outras pessoas transmasculinas e não-binárias, seu trabalho evoluiu para uma abordagem mais ficcional. Durante a pandemia, ele se formou em Direito, mas decidiu seguir a carreira artística, reconhecendo que sua verdadeira vocação estava na arte.
Atividades e Performances Durante a Exposição
Na inauguração da exposição, foi realizada uma oficina chamada ‘Imaginários do Barro’, onde o público teve a oportunidade de explorar o universo da escultura em cerâmica. Além disso, o evento contou com a participação de performances de Maru e Kayodê Andrade, que trouxeram à tona a cultura ballroom, um espaço de resistência e expressão artística da população LGBTQIA+.
Caru Brandi ressaltou a importância de incluir outros artistas da cena ballroom na exposição, enfatizando a coletividade e a diversidade das experiências dentro da comunidade trans. Ele afirmou que seu trabalho busca refletir a variedade de formas de ser trans, contribuindo para a visibilidade e compreensão dessa identidade.
