
Em resposta ao aumento das interrupções de voos causadas por drones nos aeroportos do Brasil, está sendo considerada a implementação de um sistema antidrone nas áreas dos terminais aéreos e seus arredores.
Medida em desenvolvimento
A previsão é que no primeiro semestre do ano seja anunciada a estratégia que os aeroportos deverão adotar para prevenir essas invasões. Tiago Farisntein, diretor-presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), declarou que “nos próximos meses será apresentada uma iniciativa para incentivar a adoção dessa tecnologia”.
Farisntein ressaltou a importância de avaliar as tecnologias disponíveis, a eficiência de cada uma e quem será o responsável pela sua operação, seja a Polícia Federal ou os próprios operadores dos aeroportos. Além disso, a utilização de drones capturados também precisa ser discutida.
Referências internacionais e desafios
Dada a complexidade do assunto, a Anac tem buscado inspiração em modelos internacionais. A agência está em contato com autoridades dos Estados Unidos e de Israel para entender como essas soluções podem ser adaptadas à realidade brasileira, especialmente no que se refere à proteção das áreas adjacentes aos aeroportos.
Além das questões tecnológicas, o governo está analisando também os impactos que a obrigatoriedade de instalação desses sistemas pode gerar. O custo elevado para as concessionárias pode exigir revisões nos contratos para manter o equilíbrio econômico-financeiro.
Projeto piloto em Guarulhos
Inicialmente, a Anac planeja realizar um projeto piloto no aeroporto de Guarulhos, o maior do Brasil, que já enfrentou problemas com a presença de drones. O objetivo é estender essa iniciativa a todos os principais aeroportos do país.
Durante o feriado de carnaval em fevereiro, o aeroporto de Guarulhos foi fechado duas vezes devido ao avistamento de cerca de sete drones nas proximidades, resultando em uma interrupção de até três horas e desvio de voos para outros aeroportos.
A proposta, que está sendo elaborada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em colaboração com a Anac e o Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), prevê a implementação de tecnologias que possam detectar drones em áreas sensíveis e, em situações críticas, neutralizá-los para garantir a segurança durante pousos e decolagens.
Atualmente, a legislação brasileira proíbe a operação de drones sem a devida autorização do Decea nas proximidades de aeroportos. No entanto, a série de incidentes nos últimos anos tem gerado debates sobre a segurança das operações aéreas no Brasil.
