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Idosa é alvo de estelionato e doa R$ 1,4 milhão a parentes por influência de médium

G1

Uma mulher de 85 anos é investigada por ter doado R$ 1,4 milhão a sete membros de uma mesma família, supostamente sob orientação de seu genro, que dirige um centro espírita. O caso está sob análise da Delegacia de Proteção ao Idoso de Fortaleza, no Ceará.

Denúncia de Estelionato e Influência Espiritual

O genro da idosa, identificado pelas iniciais F.G., é acusado de desviar grandes quantias de seus sogros através de conselhos supostamente recebidos de entidades espirituais. O casal de idosos, que possui mais de 80 anos e é proprietário de uma empresa no setor imobiliário, teria sido levado a usar o chá alucinógeno ayahuasca sob a orientação do médium.

As denúncias foram apresentadas por três das quatro filhas do casal, que relatam a falta de mais de R$ 5 milhões da previdência da mãe, somando-se a várias transações, incluindo a doação de R$ 1,4 milhão a título gracioso. Segundo as filhas, F.G. alegou que os espíritos dos pais dos irmãos que disputam a herança pediram à sogra que os ajudasse financeiramente.

A idosa, em depoimento à polícia, afirmou que fez as doações entre maio e junho de 2023, ciente das dificuldades financeiras dos beneficiários, com quem não mantinha relações próximas. F.G. negou ter exercido qualquer influência sobre as doações.

O médium, que é presidente do centro espírita frequente por seus sogros, teria incorporado espíritos de figuras históricas, conforme relatos no processo. A Delegacia de Proteção ao Idoso indiciou F.G. por suas ações.

O g1 não divulga o nome do médium para proteger a identidade do casal idoso, uma vez que o Ministério Público do Ceará requisitou investigações adicionais à polícia. As filhas afirmam que F.G. manipulou os idosos para que realizassem transferências financeiras, que ocorreram após recomendações de espíritos.

Além das doações, as filhas alegam que o médium atuou para isolá-las dos pais, com uma medida protetiva que impede F.G. de se aproximar do casal. Ele reside em um apartamento acima do imóvel dos sogros, o que gerou preocupações adicionais.

A polícia indiciou F.G. em agosto de 2025, e o caso foi encaminhado ao Ministério Público, que solicitou novas investigações. O processo segue em sigilo, e o MP informou que está avaliando as novas informações apresentadas pela polícia.

F.G. também atuava como assessor financeiro do casal, e sua influência se manifestava em decisões importantes relacionadas à empresa. Testemunhas relatam que, em momentos cruciais, ele os levava ao centro espírita para conselhos de espíritos que ele dizia incorporar.

A denúncia aponta que F.G. não tinha uma renda fixa e que parte de sua remuneração vinha de comissões de vendas da empresa, baseadas em suas orientações espirituais. Ele tinha acesso às contas bancárias da sogra, o que levanta a suspeita sobre as transações realizadas.

As filhas declararam que aproximadamente R$ 5 milhões teriam desaparecido da conta bancária da mãe. As doações feitas a familiares e outras transações financeiras estão entre as movimentações questionadas no processo.

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