
As tratativas para um novo acordo salarial entre os trabalhadores do transporte rodoviário e as empresas de ônibus do município do Rio de Janeiro, representadas pelo Rio Ônibus, novamente não alcançaram consenso em audiência de conciliação realizada nesta segunda-feira (6). O encontro ocorreu no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) e reforça o impasse atual nas negociações.
Uma nova rodada de negociações está agendada para a próxima quarta-feira (8), às 11h. A expectativa é que, até essa data, sindicato e empregadores avaliem as diferentes propostas apresentadas e busquem pontos de convergência para evitar uma paralisação.
Proposta de Reajuste e Condições
Durante as discussões, os representantes das empresas elevaram a oferta de reajuste do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,39% para 4,5%. Contudo, tanto o TRT-1 quanto o Ministério Público do Trabalho (MPT) sugeriram que os empresários formulem uma nova oferta, visando um percentual mínimo de 5%. Essa marca já foi aceita pelos rodoviários em cidades da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e Duque de Caxias, servindo como referência para a atual negociação.
José Gouvea, presidente do Rio Ônibus, informou que agendou uma reunião com os proprietários das companhias para esta terça-feira (7). O objetivo é avaliar a viabilidade de atender à recomendação do TRT e do MPT de elevar a proposta de reajuste. Gouvea reiterou que o setor enfrenta um cenário financeiro delicado, com receitas em 2024 inferiores às registradas no ano anterior.
Em contraponto, Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, manifestou a expectativa de que os empregadores apresentem uma oferta mais vantajosa na próxima audiência. O sindicato convocou uma assembleia para esta terça-feira, às 16h, em sua sede, onde os trabalhadores deliberarão sobre os próximos passos, incluindo a possibilidade de uma nova paralisação.
A paralisação anterior da categoria foi suspensa provisoriamente na última quinta-feira (2), após o compromisso de reavaliação da proposta inicial de reajuste por parte das empresas. A cada mês, o sistema de transporte coletivo urbano da capital fluminense atende a uma demanda de aproximadamente 32 milhões de passageiros, evidenciando o impacto de qualquer interrupção dos serviços.
Histórico da Greve e Intervenções Judiciais
Em junho, precisamente no dia 27, o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro deu entrada com um dissídio coletivo de greve, de caráter econômico. Naquele mesmo dia, o TRT-1 concedeu uma liminar que validava o movimento paredista, estabelecendo, contudo, a circulação mínima de 50% da frota em todas as linhas e itinerários, com previsão de multa de R$ 50 mil em caso de não cumprimento.
A greve teve início dois dias depois, em 29 de junho. Ainda na mesma data, o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), acatou uma solicitação do município do Rio de Janeiro e elevou o percentual mínimo de ônibus em operação para 80% da frota, aplicada por linha, itinerário e faixa horária, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de desobediência.
Reivindicações da Categoria
As principais demandas apresentadas pelos trabalhadores incluem um reajuste salarial, a valorização dos pisos remuneratórios da categoria, a expansão de benefícios já existentes e a remuneração do período de intervalo para refeição como hora extraordinária.
Apesar de múltiplas audiências de conciliação já terem sido conduzidas, as partes ainda não alcançaram um consenso definitivo para as condições de reajuste salarial e demais pontos da pauta de reivindicações dos rodoviários cariocas.
