
A embaixada do Irã na Espanha declarou nesta quinta-feira (26) que o país está disposto a considerar qualquer solicitação feita por Madri em relação ao Estreito de Ormuz, enfatizando seu compromisso com as normas do direito internacional. Esta é a primeira vez que uma concessão dessa natureza é oferecida a uma nação da União Europeia.
Embora a frota mercante da Espanha seja relativamente pequena, o país se destacou entre as nações que condenaram os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, classificando essas ações como imprudentes e ilegais. A embaixada iraniana comentou em suas redes sociais: “O Irã vê a Espanha como uma nação que valoriza o direito internacional, por isso está aberto a pedidos de Madri.”
Reações e Contexto Internacional
Em um comunicado enviado à ONU na terça-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que “embarcações não hostis” podem atravessar o estreito, desde que haja coordenação com as autoridades iranianas. O conflito em curso no Irã tem causado uma interrupção significativa no transporte de quase 20% do petróleo e gás natural liquefeito globalmente, afetando o fornecimento de energia.
Recentemente, um petroleiro da Tailândia conseguiu passar pelo estreito com segurança após negociações entre os dois países, e o primeiro-ministro da Malásia anunciou que embarcações de seu país também estão sendo autorizadas a transitar, indicando uma possível diminuição das restrições para algumas nações.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, expressou sua confusão sobre o comunicado do Irã, lembrando que o país europeu tem consistentemente apoiado sanções contra Teerã, incluindo a classificação da Guarda Revolucionária como uma organização terrorista. Ele frisou que a Espanha pede desescalada e diplomacia em vez de confronto.
O Conflito e suas Repercussões
O conflito entre os EUA e Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro, após um ataque que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Desde então, várias autoridades iranianas foram mortas, e os EUA afirmam ter destruído diversos ativos militares iranianos. Em resposta, o Irã lançou ataques contra países da região, alegando que seus alvos são principalmente interesses americanos e israelenses.
Até o momento, mais de 1.750 civis iranianos perderam a vida em decorrência do conflito, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos. A Casa Branca reportou ao menos 13 soldados americanos mortos devido aos ataques iranianos.
A situação também se agravou no Líbano, onde o Hezbollah, apoiado pelo Irã, atacou Israel em retaliação à morte de Khamenei, levando Israel a realizar bombardeios aéreos em resposta. A eleição de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, após a morte de seu pai, é vista por especialistas como uma continuidade da política repressiva.
Donald Trump expressou seu descontentamento com a escolha de Mojtaba, considerando-a um “grande erro” e afirmando que sua liderança seria “inaceitável”.
