PUBLICIDADE

Justiça do Ceará Determina Nova Prisão de Policial Militar Acusado de Homicídio em Cariré

G1

Um policial militar foi detido novamente nesta quarta-feira (8), no Ceará, após a Justiça expedir um mandado de prisão preventiva. O agente, identificado como Caio Filizola de Paiva, de 36 anos, é o principal suspeito da morte de Luena Rocha Melo, de 33 anos, em Cariré, no interior do estado.

O crime, sob investigação, ocorreu na madrugada da última segunda-feira (6), nas proximidades de um posto de combustível. Familiares da vítima relataram a existência de desavenças anteriores entre Luena e o policial. A mulher havia iniciado um processo judicial contra o militar, que já havia a agredido. Luena Rocha Melo deixa dois filhos.

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou que a prisão preventiva de Caio Filizola de Paiva foi decretada pela Vara Única da Comarca de Cariré, atendendo a uma solicitação do Ministério Público. A captura do soldado foi efetuada por uma equipe do 3º Batalhão da Polícia Militar e, conforme nota da corporação, ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil em Sobral para os procedimentos legais cabíveis.

Revogação da Liberdade Provisória e Argumentos Judiciais

Inicialmente, Caio Filizola havia sido detido no dia do incidente, mas foi liberado horas depois durante uma Audiência de Custódia. Na ocasião, foram impostas medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica por 240 dias. A decisão de conceder a liberdade provisória foi alvo de questionamentos, inclusive por parte do secretário estadual de Segurança Pública do Ceará, Roberto Sá, que expressou discordância, embora respeitasse o Judiciário.

Inconformado com a soltura, o Ministério Público do Ceará (MPCE) apresentou um recurso, solicitando a revisão da decisão. O Juiz de Direito Suetônio de Souza Valgueiro de Carvalho Cantarelli, titular da Vara Única da Comarca de Cariré, acolheu o pedido e determinou a prisão preventiva do policial. A medida visa garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal.

Em sua fundamentação, o magistrado destacou a acentuada periculosidade social do acusado, evidenciada pelo modo como o crime foi cometido, com o policial apresentando “nítidos sinais de embriaguez”. O juiz ressaltou que o réu, ciente de seu tratamento psiquiátrico e do uso de medicamentos controlados, ingeriu bebida alcoólica e portou arma de fogo em ambiente público, demonstrando total desrespeito às normas de conduta e à segurança coletiva.

O processo também aponta que o homicídio teria sido motivado por desavenças antigas e provocações verbais relacionadas a agressões físicas anteriores cometidas pelo militar contra a vítima. A folha de antecedentes criminais do policial revela que ele responde a múltiplos processos criminais, incluindo casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, o que, para o juiz, indica uma escalada de violência que culminou na morte de Luena.

Câmeras de Segurança Contradizem Versão do Militar

Durante sua prisão inicial, Caio Filizola teria alegado informalmente aos agentes que o disparo ocorreu enquanto Luena tentava tomar sua pistola. No entanto, as investigações da Polícia Civil, com base em imagens de câmeras de segurança do posto de combustível, desmentiram essa versão, mostrando que não houve qualquer tentativa da vítima de se apoderar da arma.

Uma testemunha presente no local corroborou o que as câmeras registraram, afirmando em depoimento que “presenciou o momento em que o réu sacou a arma de fogo e efetuou voluntariamente o disparo contra o tórax da vítima”. A pistola utilizada no crime, que pertence ao acervo da Polícia Militar do Ceará, foi apreendida com o cano levantado, o que sugere a manipulação do mecanismo de disparo.

Leia mais

PUBLICIDADE