
Um pastor de 38 anos, previamente detido sob suspeita de crimes sexuais contra membros de sua igreja na capital cearense, tornou-se oficialmente réu. A decisão judicial acolhe uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), que imputa a Alan Pereira Vicente os delitos de estupro e violação sexual mediante fraude.
Com a admissão da denúncia, o processo legal contra o ex-líder religioso avança para a fase de instrução. Conforme o rito processual, o acusado, as vítimas e as testemunhas serão convocados para prestar depoimento. Alan Pereira Vicente permanece em prisão preventiva, condição que se mantém desde sua detenção em maio.
Métodos de Abuso e Manipulação
As acusações detalham que o pastor se valia de sua posição e influência na comunidade religiosa do bairro Antônio Bezerra para se aproximar das vítimas. Ele conduzia cultos nos quais simulava a remoção de objetos, como pregos e agulhas, do corpo de fiéis, apresentando esses atos como manifestações milagrosas de cura.
A partir dessa encenação, Alan Pereira Vicente persuadia mulheres a comparecer a encontros privados, sob o pretexto de oferecer ‘cura espiritual’ ou tratamento para supostas enfermidades. Nessas sessões, ele alegava que as vítimas possuíam doenças graves, incluindo câncer, utilizando-se dessas falsas diagnoses para justificar as investidas e abusos.
Relatos também indicam que o acusado ameaçava as vítimas com a suposta influência junto a uma organização criminosa, visando intimidá-las e impedir que denunciassem os atos. Fontes da imprensa local apontam que ao menos três mulheres adultas e dois adolescentes teriam sido alvos dos crimes, com duas das vítimas adultas formalizando as queixas às autoridades.
Depoimentos Revelam Padrão de Conduta
Em um dos depoimentos, uma universitária de 27 anos narrou ter sido informada pelo pastor sobre a existência de um suposto tumor em seu útero. Ele a teria alertado sobre os riscos de morte, caso o ‘procedimento’ de remoção não fosse realizado, evocando um caso anterior semelhante.
Com receio, a jovem aceitou participar de sessões particulares na igreja, onde, segundo seu relato, o acusado exigia que ela retirasse as roupas íntimas e praticava toques em seu corpo, alegando estar ‘extraindo o tumor’. Posteriormente, ele a teria levado a um motel sob pretexto de carona, onde a estuprou, mesmo diante da recusa. Após o ocorrido, o pastor teria pedido perdão e que ela orasse, buscando silenciá-la.
A vítima formalizou a denúncia à liderança da igreja em março deste ano. Em resposta, o pastor foi expulso em abril. Contudo, antes de sua saída, ele teria tentado difamá-la entre outros membros da congregação.
Outro caso envolveu uma dona de casa de 20 anos que, após uma gestação complicada, foi abordada por Alan Pereira Vicente com a promessa de uma ‘cura’. Ele a visitou em sua residência, onde simulou a remoção de uma agulha de seu corpo.
O pastor então afirmou que um ‘fragmento’ ainda permanecia e solicitou que ela retirasse a parte inferior da vestimenta, momento em que teria cometido atos de abuso sob a justificativa de continuar o tratamento. Para persuadi-la e dissipar suas dúvidas, o líder religioso empregou versículos bíblicos e argumentos espirituais, alegando que ‘servos de Deus’ poderiam curar enfermos pelo toque.
Esses encontros se repetiram por três dias, mas a vítima recusou-se a prosseguir no quarto dia. Após os eventos, ela deixou de frequentar a igreja e, segundo seu relato, o pastor a difamou, fazendo comentários sobre seu corpo.
