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Lula lamenta morte de Mãe Carmen: “liderou terreiro com muito amor”

© marienedecastro/Instagram

A nação brasileira se despede de uma de suas mais reverenciadas matriarcas espirituais. Na noite da última sexta-feira (26), faleceu, aos 98 anos, Mãe Carmen Oxaguian, a ilustre ialorixá do Terreiro do Gantois, em Salvador, Bahia. A notícia de sua partida ecoou por todo o país, gerando uma onda de pesar e homenagens. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja, expressaram profunda tristeza em uma carta de condolências, ressaltando o amor e a dedicação com que Mãe Carmen liderou uma das mais importantes casas de Candomblé do Brasil por mais de duas décadas. Sua ausência marca o fim de uma era para o povo de santo e para a cultura afro-brasileira, que perde uma de suas maiores guardiãs da ancestralidade e da espiritualidade africana no Brasil.

O legado de Mãe Carmen no Gantois

A ialorixá Carmen Oliveira da Silva, conhecida religiosamente como Mãe Carmen Oxaguian, deixou um legado inestimável para o Candomblé e para a cultura brasileira. Por mais de 20 anos, ela foi a líder espiritual do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, amplamente conhecido como Terreiro do Gantois, um dos mais tradicionais e influentes centros de culto afro-brasileiro. Sua liderança foi marcada pela dedicação à preservação das tradições ancestrais, transmitidas por figuras como a lendária Mãe Menininha do Gantois, sua mãe biológica e antecessora no posto.

Uma liderança de mais de duas décadas

Assumindo a liderança do terreiro em 2002, Mãe Carmen carregou a responsabilidade de manter viva a chama da espiritualidade africana que encontrou no Brasil um novo lar, permeando a cultura e o coração de milhões de brasileiros. Sua gestão foi caracterizada pela firmeza espiritual, sabedoria e um profundo compromisso com os preceitos do Candomblé. Durante sua ialorixato, Mãe Carmen não apenas preservou os rituais e a memória de seus antepassados, mas também promoveu a acolhida e a propagação dos valores de sua fé, consolidando o Gantois como um farol de resistência cultural e religiosa. Ela foi uma figura central na luta contra a intolerância religiosa e na valorização das matrizes africanas que formam a identidade brasileira.

A importância do Terreiro do Gantois

O Terreiro do Gantois, situado em Salvador, Bahia, não é apenas um local de culto, mas um patrimônio histórico e cultural de relevância nacional e internacional. Fundado em 1849, o terreiro se tornou um símbolo de resistência e preservação do Candomblé e da cultura yorubá no Brasil. Foi lá que Mãe Menininha, uma das maiores líderes religiosas do país, atuou por décadas, transformando o Gantois em um ícone de fé e reconhecimento. Mãe Carmen, ao longo de sua vida e liderança, assegurou que o Gantois continuasse a ser esse espaço sagrado de aprendizado, celebração e resistência, honrando a memória e o legado de suas matriarcas. Sua presença era a personificação da continuidade de uma herança ancestral que transcende gerações, fortalecendo as raízes africanas na formação cultural e social do Brasil.

Repercussão e homenagens nacionais

A partida de Mãe Carmen Oxaguian gerou uma onda de comoção em diversas esferas da sociedade brasileira, desde as mais altas instâncias governamentais até o meio artístico e cultural. As homenagens ressaltaram não apenas sua posição como líder religiosa, mas também seu papel como guardiã da cultura e promotora de valores como amor, acolhimento e resistência.

A voz do governo federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja, foram um dos primeiros a manifestar pesar, destacando o profundo impacto da ialorixá. Lula, em sua nota, enfatizou que Mãe Carmen “liderou com muito amor” e cultivou a tradição ancestral transmitida por Mãe Menininha, mantendo acesa a chama da espiritualidade africana. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também se manifestou em suas redes sociais, sublinhando a grandeza de Mãe Carmen como “autoridade espiritual” e “grande mulher de fé que cultivou amor, acolhimento e a força de quem lidera pelo exemplo”. O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, por sua vez, divulgou uma nota de pesar, solidarizando-se com a comunidade do Gantois e afirmando que a vida de Mãe Carmen permanece como “legado de sabedoria, firmeza espiritual e compromisso com a ancestralidade”. Essas manifestações evidenciam o reconhecimento oficial da importância de Mãe Carmen e do Candomblé para a identidade nacional.

Manifestações da cultura e sociedade

Além das esferas governamentais, o falecimento de Mãe Carmen repercutiu intensamente no universo artístico e cultural brasileiro. Artistas e personalidades que sempre tiveram ligação com as religiões de matriz africana e a cultura baiana expressaram sua dor. O renomado músico Gilberto Gil, por exemplo, lamentou a perda em suas redes sociais, escrevendo: “Partiu hoje deixando muitas saudades. Descanse em paz! Que Obatalá nos proteja”. A comoção foi amplamente sentida pelo “povo de santo”, comunidade que se refere aos praticantes de religiões afro-brasileiras, para quem a ialorixá era uma referência de fé, ética e resistência. Sua vida foi um testemunho da força e da beleza do Candomblé, inspirando inúmeras pessoas a valorizarem suas raízes e a lutarem contra o preconceito. A partida de Mãe Carmen é, portanto, uma perda para toda a sociedade que valoriza a diversidade e a riqueza cultural do Brasil.

Trajetória de uma guardiã da ancestralidade

A vida de Mãe Carmen Oxaguian foi intrinsecamente ligada ao Terreiro do Gantois, nascida e criada em seu seio. Sua história é um reflexo da dedicação e do compromisso com as raízes africanas que moldaram a espiritualidade brasileira.

Nascida na fé

Carmen Oliveira da Silva, seu nome de registro, nasceu em 29 de dezembro de 1926, dentro da própria casa de Candomblé que viria a liderar. Essa proximidade desde o berço com o ambiente sagrado de Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase moldou profundamente sua trajetória. Aos sete anos de idade, ela foi iniciada no Candomblé, um rito que selou seu destino e a inseriu formalmente no caminho da fé de seus antepassados. Essa vivência desde a infância lhe proporcionou um conhecimento profundo e uma conexão orgânica com os orixás e as tradições do terreiro, preparando-a para a grandiosa responsabilidade que assumiria décadas depois.

O compromisso sagrado

Mãe Carmen herdou não apenas um posto, mas um compromisso sagrado de suas matriarcas, especialmente de sua mãe, a icônica Mãe Menininha do Gantois. Ela foi a filha mais nova de Mãe Menininha e de Álvaro de Oliveira da Silva. A transmissão de saberes, rituais e a ética do Candomblé foi uma parte fundamental de sua formação. Esse legado foi cultivado por ela com o máximo de zelo e respeito, mantendo a autenticidade e a pureza das práticas do Gantois. Sua vida foi um exemplo de dedicação à preservação da cultura ancestral africana, garantindo que as futuras gerações pudessem continuar a se conectar com essa fonte de espiritualidade e sabedoria. A ialorixá deixou duas filhas, três netos e quatro bisnetos, um legado familiar que continuará a honrar sua memória e sua fé. Seu velório seguiu até sábado (27), em Salvador, onde foi sepultada, deixando um vazio imenso, mas também um farol de luz para todos que se inspiraram em sua força e dedicação.

Conclusão

A partida de Mãe Carmen Oxaguian representa não apenas a perda de uma figura religiosa, mas o encerramento de um capítulo fundamental na história do Candomblé e da cultura afro-brasileira. Sua vida, dedicada integralmente ao Terreiro do Gantois e à preservação das tradições ancestrais, deixa um legado de amor, sabedoria e resistência inestimável. As homenagens de autoridades e personalidades culturais ressaltam a profunda marca que ela deixou na sociedade brasileira, consolidando a importância das religiões de matriz africana para a identidade nacional. Mãe Carmen permanecerá como um símbolo de força espiritual e um exemplo de como a fé e a dedicação podem manter viva a essência de um povo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Quem foi Mãe Carmen Oxaguian?
Mãe Carmen Oxaguian, cujo nome de registro era Carmen Oliveira da Silva, foi uma das mais importantes ialorixás do Brasil. Ela liderou o Terreiro do Gantois, em Salvador (BA), por mais de duas décadas, sendo filha da lendária Mãe Menininha do Gantois.

2. Qual a importância do Terreiro do Gantois?
O Terreiro do Gantois (Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase) é um dos terreiros de Candomblé mais antigos e influentes do Brasil, fundado em 1849. É um patrimônio cultural e religioso que simboliza a resistência e a preservação da cultura yorubá e da espiritualidade africana no país.

3. Qual o legado de Mãe Carmen para o Candomblé e a cultura brasileira?
O legado de Mãe Carmen inclui a incansável preservação das tradições ancestrais do Candomblé, a promoção do acolhimento e do amor em sua comunidade, e a luta contra a intolerância religiosa. Sua vida e liderança contribuíram significativamente para o reconhecimento e valorização da cultura afro-brasileira no cenário nacional.

Para mais informações sobre a rica história do Candomblé e suas personalidades, continue acompanhando nossas publicações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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