
Uma pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão, revelou que cerca de 50% das mulheres no Ceará expressam temor de serem vítimas de estupro ao utilizarem serviços de transporte por aplicativo. Este receio ultrapassa a preocupação com assaltos e roubos, evidenciando um grave problema de segurança para as mulheres na região.
Resultados do Estudo e Preocupações das Mulheres
O levantamento, intitulado ‘Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança’, entrevistou 2.032 mulheres com idades a partir dos 16 anos em 77 cidades do Ceará, entre 1º e 14 de outubro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Além do medo de estupro, as participantes relataram preocupações relacionadas ao assédio sexual e a possíveis agressões físicas, ambas com 37% de menções.
Os dados mostram que 95% das mulheres entrevistadas têm medo de sofrer qualquer forma de violência, sendo o medo de violência sexual o mais predominante.
Análise dos Medos Relacionados ao Transporte
No contexto dos transportes por aplicativo, especificamente, 50% das respondentes afirmaram temer ser estupradas, enquanto 37% expressaram preocupação com assédio sexual ou importunação. Além disso, 36% temem que o motorista altere a rota sem aviso prévio, e 35% mencionaram o medo de assaltos.
O estudo também destacou que esse medo é mais acentuado entre mulheres jovens; 64% da faixa etária de 16 a 24 anos e 63% de 25 a 34 anos relataram essa preocupação. Em contraste, apenas 30% das mulheres acima dos 60 anos compartilham dessa mesma apreensão.
Comparação com o Transporte Público
Os resultados do estudo revelam diferenças nos medos associados ao transporte público. Para essa modalidade, 59% das mulheres relataram medo de serem assaltadas, enquanto 46% mencionaram a preocupação com assédio sexual e 46% com o estupro.
Observou-se que, entre as mulheres mais jovens, o medo de assédio sexual e estupro é significativo, com 59% das jovens de 16 a 24 anos e 58% das de 25 a 34 anos se manifestando sobre essas preocupações.
Experiência de Violência entre as Entrevistadas
Quando questionadas se já haviam sofrido algum tipo de violência, 51% das entrevistadas admitiram ter passado por essa experiência. A violência psicológica foi a mais reportada, afetando 28% das mulheres, seguida pela violência física (16%) e sexual (15%).
Esse estudo evidencia a realidade alarmante enfrentada pelas mulheres no Ceará, que não apenas convivem com o medo constante de violência, mas também enfrentam as consequências de experiências traumáticas.
