PUBLICIDADE

Ministra defende fim da escala 6×1 como avanço para a inclusão feminina no mercado de trabalho

© Lula Marques/Agência Brasil.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que a eliminação da jornada de trabalho 6×1, que contempla apenas uma folga por semana, representa uma demanda urgente da sociedade. Segundo ela, essa mudança permitirá que as mulheres tenham um acesso mais amplo ao mercado de trabalho.

Impactos positivos da mudança na jornada de trabalho

Lopes enfatiza que a nova estrutura de trabalho beneficiará a saúde e as relações familiares das mulheres. “Não tenho dúvidas de que o fim da escala 6×1 é uma necessidade atual”, afirmou durante uma entrevista à Agência Brasil, após um evento no BNDES, no Rio de Janeiro.

Essa discussão surge em um momento em que o Congresso Nacional está analisando o Projeto de Lei 1838/2026, que propõe a redução da carga máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegurando dois dias de descanso remunerado sem diminuição de salário.

O governo federal solicitou tramitação urgente para o projeto, que, até o final do dia 30 de março, aguardava a apreciação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Além disso, duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) também estão em pauta na Câmara, relacionadas ao fim da jornada 6×1. Uma comissão especial foi formada para examinar essas propostas.

Desigualdade enfrentada pelas mulheres

A ministra destaca que as mulheres são as mais afetadas pela jornada de trabalho atual, que perpetua a sobrecarga de obrigações. “Elas historicamente enfrentam jornadas duplas e triplas, acumulando trabalho remunerado e não remunerado”, explicou.

Márcia Lopes acredita que a mudança na jornada de trabalho não apenas ajudará a aliviar essa sobrecarga, mas também aumentará as oportunidades de emprego para mulheres, contribuindo para a equidade de gênero no ambiente laboral.

Ela ressalta que a superação da jornada 6×1 e a luta por igualdade salarial são passos cruciais para que as mulheres, especialmente as de comunidades periféricas e negras, tenham melhores condições de trabalho.

Dados sobre desigualdade salarial

Um relatório recente do Ministério do Trabalho revelou que as mulheres no setor privado ganham, em média, 21,3% a menos que os homens. Para cada R$ 1.000 recebidos por um homem, uma mulher recebe apenas R$ 787.

A Lei nº 14.611, sancionada em julho de 2023, reforça a necessidade de igualdade salarial para funções equivalentes, exigindo que empresas com mais de 100 funcionários adotem práticas que assegurem essa igualdade.

Benefícios econômicos da nova jornada

A ministra acredita que o fim da jornada 6×1 trará benefícios não apenas para as mulheres, mas também para as empresas, ao reduzir faltas e melhorar a produtividade. “Essa mudança proporcionará mais dignidade e tempo livre, que poderá ser utilizado para atividades como cultura, lazer e organização comunitária”, destacou.

Estudos sobre o impacto da redução da jornada de trabalho variam. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta para possíveis perdas de R$ 76 bilhões no PIB e um aumento médio nos preços de 6,2%. Por outro lado, a Confederação Nacional do Comércio estima um aumento de 21% nos custos da folha de pagamento, com uma pressão inflacionária que poderia elevar os preços ao consumidor em até 13%.

Leia mais

PUBLICIDADE