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Mobilização Nacional Marca o Julho das Pretas por Direitos e Bem Viver

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Julho das Pretas, um cronograma anual de atividades dedicado à promoção da igualdade racial e de gênero, alcançou seu ponto alto com uma série de mobilizações por todo o território nacional. Os eventos, que ocorreram no último fim de semana, foram especialmente significativos por coincidir com a celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho.

Principais Reivindicações do Movimento

As manifestações em diversas cidades brasileiras concentraram-se em duas pautas fundamentais. A primeira aborda a reparação histórica, demandando que o Estado e a sociedade assumam suas responsabilidades nas desigualdades persistentes. A segunda reivindicação central é a implementação do conceito de ‘Bem Viver’, um modelo de sociedade que prioriza o cuidado, a conexão com a ancestralidade e a coletividade como pilares para alcançar a justiça social plena e a salvaguarda da vida.

O Odara – Instituto da Mulher Negra atua como o principal articulador das atividades do Julho das Pretas. Este ano, a iniciativa se expandiu consideravelmente, englobando aproximadamente 700 eventos organizados por mais de 290 coletivos em 23 estados e no Distrito Federal.

Manifestações em Diversos Pontos do País

Na sexta-feira (24), a Marcha das Mulheres Negras de Pernambuco deu o pontapé inicial em Recife, sua capital. As participantes se reuniram no Parque Treze de Maio e seguiram até o Pátio do Carmo, levantando a bandeira da sub-representação das mulheres negras em esferas de poder.

O sábado (25) registrou atos em pelo menos três capitais. Em Belo Horizonte (MG), as mobilizações incluíram uma homenagem aos 12 anos da Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela, uma organização vital que atua na capital mineira na defesa desta categoria, majoritariamente composta por mulheres negras.

Em Belém (PA), a 11ª edição da marcha foi realizada no domingo (26) ao redor da Praça da República, no centro da cidade. Flávia Vieira, uma das organizadoras, salientou o caráter simbólico da escolha do local, uma vez que parte da praça foi edificada sobre um antigo cemitério de pessoas escravizadas. O tema da marcha deste ano em Belém, “Ancestralidade, um projeto de futuro que se faz agora”, reforça essa conexão temporal. Vieira enfatizou a necessidade de reflexão sobre direitos humanos e a importância do voto, destacando que as mulheres negras representam um expressivo grupo político com poder de decisão nas eleições.

Salvador (BA) também foi palco de marcha e celebração no sábado (25). Beatriz Souza, integrante do Odara, que organizou o evento na capital baiana, celebrou a crescente adesão a cada nova edição. Ela descreveu o evento como um momento de grande beleza e força, que inspira a crença na construção de um novo mundo fundamentado em pactos de Bem Viver, igualdade e justiça para todos.

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