PUBLICIDADE

Pesquisa revela que autonomia financeira é prioridade para mulheres

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A busca por autonomia financeira, que permite às mulheres tomar decisões sobre suas vidas, se destaca como a principal prioridade entre as entrevistadas na pesquisa intitulada Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada recentemente.

Desigualdade e desafios no ambiente profissional

O estudo, realizado pela Consultoria Maya com dados da plataforma de educação corporativa Koru, envolveu 180 mulheres de diversas idades e etnias, exceto indígenas. A pesquisa revelou que o ambiente de trabalho ainda é marcado por desigualdades e a percepção de práticas discriminatórias e violentas.

Em relação às prioridades, 37,3% das mulheres citaram a independência financeira como a mais importante. A saúde mental e física foi mencionada por 31%, seguida pela realização profissional. Apenas uma em cada dez participantes considerou a busca por um relacionamento amoroso como uma prioridade.

Paola Carvalho, diretora da Consultoria Maya, ressaltou que a autonomia financeira é sinônimo de liberdade de escolha, enfatizando que ter um salário e poder de decisão são fundamentais, pois permitem às mulheres romperem com relacionamentos abusivos e melhorarem a qualidade de vida de suas famílias.

Barreiras culturais e discriminação

O acesso ao mercado de trabalho e a ascensão profissional para muitas mulheres ainda enfrentam barreiras culturais, mesmo diante de uma formação acadêmica robusta. A pesquisa destacou que 2,3% das entrevistadas foram preteridas em promoções, principalmente devido à maternidade.

Uma participante anônima explicou que a preferência nas promoções tende a favorecer homens, seguidos por mulheres sem filhos, enquanto mães são frequentemente desconsideradas.

Além disso, a violência psicológica afeta a carreira de mais de 70% das mulheres entrevistadas. Comentários sexistas, interrupções em reuniões e questionamentos sobre suas capacidades são alguns dos problemas enfrentados.

Uma participante relatou que, ao ser promovida, seu coordenador questionou se ela acreditava que conseguiria desempenhar a nova função e até sugeriu que conversasse com seu esposo sobre a decisão.

Distribuição de cargos e a necessidade de mudança

A pesquisa também evidenciou a disparidade na distribuição de cargos. A maioria das entrevistadas ocupa posições operacionais e intermediárias, como coordenadoras e gerentes, enquanto apenas 5,6% alcançaram postos de diretoria ou altos executivos.

Paola Carvalho apontou que a diminuição da presença feminina em cargos estratégicos reflete uma estrutura sexista nas organizações. Para reverter esse cenário, ela sugere um comprometimento que deve se estender desde estagiários até CEOs, promovendo uma nova abordagem nas práticas profissionais.

É fundamental, segundo a consultora, adotar uma visão inovadora sobre essas questões, que deve ser iniciada tanto por ações individuais quanto institucionais. Ela finalizou afirmando que a situação atual é alarmante e requer atenção imediata.

Leia mais

PUBLICIDADE