
Péter Magyar, o recém-eleito líder da Hungria, anunciou nesta segunda-feira (13) sua intenção de alterar a Constituição como parte de um esforço para restaurar os princípios democráticos no país. Em uma coletiva de imprensa, ele destacou que uma de suas primeiras ações no combate à corrupção será a criação de um novo gabinete encarregado de supervisionar todas as atividades do governo.
Magyar afirmou que a corrupção em grande escala é um dos principais fatores que impedem a Hungria e seu povo de acessar os oito trilhões de florins em fundos disponíveis da União Europeia. “Estamos preparados para eliminar essa corrupção em larga escala, pois é isso que faz com que o dinheiro se perca, contribuindo para que sejamos um dos países mais pobres e corruptos da Europa”, declarou.
Resultados das eleições e novas diretrizes
Após uma vitória significativa, Magyar ressaltou que o resultado das eleições demonstrou a vontade do povo húngaro de se alinhar mais estreitamente com a Europa. Seu partido, Tisza, conseguiu conquistar dois terços do Parlamento nas eleições realizadas no domingo (12). Essa vitória pode facilitar o acesso a bilhões de euros em financiamentos da União Europeia, embora especialistas observem que reformas efetivas serão necessárias para que esses recursos sejam liberados.
O primeiro-ministro Viktor Orbán, que esteve no poder por 16 anos, foi criticado por distanciar a Hungria da União Europeia e por manter laços com a Rússia, mesmo em meio à guerra na Ucrânia. Orbán enfrentou tensões com o bloco europeu devido a acusações de violações do Estado de direito e dos direitos humanos, resultando no congelamento de significativos recursos financeiros.
Magyar também mencionou a necessidade de implementar mudanças constitucionais que limitem os mandatos de um primeiro-ministro a apenas dois. Segundo ele, essa medida se aplicará a Orbán, o que o impossibilitará de retornar ao cargo. “Ele teve a oportunidade de contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da Hungria, mas não aproveitou essa chance, utilizando-a de maneira inadequada”, comentou.
Visão crítica sobre o governo anterior
Críticos do governo de Orbán apontam que seu tempo à frente do país foi marcado por estagnação econômica, isolamento internacional e acúmulo de riqueza por parte de oligarcas. No entanto, seus apoiadores argumentam que o premiê defendeu a soberania da Hungria e os valores tradicionais, recebendo apoio de figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Magyar enfatizou a necessidade de uma rápida transferência de poder, afirmando que o resultado das eleições foi um claro indicativo de que o povo húngaro optou por um novo regime e por um futuro mais alinhado à Europa. Ele solicitou ao presidente Tamas Sulyok, aliado de Orbán, que assegure uma transição de governo eficiente e reiterou seu pedido para que Sulyok renuncie ao cargo.
De acordo com a legislação húngara, o presidente, que possui um papel cerimonial, deve convocar uma nova sessão do Parlamento dentro de 30 dias após a realização das eleições.
