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Polícia do Amazonas prende agentes públicos suspeitos de colaboração com facção criminosa

© Mauro Neto/Secom

Nesta sexta-feira (20), a polícia civil do Amazonas efetuou a prisão preventiva de ao menos 13 indivíduos suspeitos de estarem envolvidos em um esquema de tráfico de drogas associado à facção criminosa Comando Vermelho (CV). Entre os detidos estão ocupantes de cargos em diversas esferas do serviço público, incluindo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

De acordo com os investigadores da operação Erga Omnes, os suspeitos movimentaram cerca de R$70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada para dar aparência legal aos recursos obtidos de forma ilícita.

Entre os alvos da operação está Anabela Cardoso Freitas, servidora da Polícia Civil que está cedida à Casa Civil municipal como assessora técnica. A Prefeitura de Manaus não respondeu a um pedido de informações sobre os cargos ocupados por Anabela, que já chefiou o gabinete do prefeito David Almeida, o qual não é alvo da investigação.

A administração municipal emitiu uma nota afirmando que não está sendo investigada e que qualquer servidor público sob investigação será responsabilizado individualmente, sem interferir nas atividades da administração pública.

Outro envolvido na operação é Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A corte informou que está tomando as medidas administrativas apropriadas e reafirmou seu compromisso com a legalidade e transparência.

Durante uma coletiva de imprensa em Manaus, o delegado Marcelo Martins, responsável pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), destacou que as prisões foram baseadas em provas contidas nos autos. Os suspeitos enfrentam acusações de formação de organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

O grupo atuava em outros estados brasileiros, como Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, onde alguns mandados de prisão e busca foram cumpridos com apoio das forças de segurança locais.

As investigações, iniciadas em agosto de 2025, revelaram que membros dos três Poderes do estado estavam auxiliando os traficantes. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram transações financeiras significativas realizadas por servidores envolvidos no esquema.

Segundo a Polícia Civil, a colaboração dos servidores públicos permitiu que a organização criminosa tivesse acesso facilitado a informações sigilosas e suporte logístico. As empresas de logística criadas para fins ilícitos eram usadas para distribuir drogas em todo o Brasil, simulando atividades legítimas.

As drogas eram adquiridas em Tabatinga, e os pagamentos eram realizados por meio de empresas fantasmas em Amazonas e Pará, antes de serem distribuídas em outros estados. As investigações mostraram que essas empresas não realizavam transações financeiras justificáveis, limitando-se a movimentações com traficantes e servidores públicos.

Além disso, até mesmo igrejas evangélicas estavam sendo utilizadas para dificultar a identificação do grupo criminoso. Um dos líderes da organização, cuja identidade não foi confirmada, se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja na zona leste de Manaus.

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