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Preços de Lácteos Mantêm Níveis Baixos no Comércio Internacional

Produtores de leite enfrentam perdas financeiras  • Divulgação

O início de 2026 no mercado global de lácteos é marcado por uma oferta elevada, impulsionada por aumentos significativos na produção em países como Argentina e Uruguai, que registraram crescimentos de 7% e 8%, respectivamente, em 2025. Para este ano, espera-se um crescimento mais modesto na produção global, reflexo de margens apertadas nas cadeias produtivas e incertezas geopolíticas em regiões como a Venezuela, Irã e Leste Europeu.

Samuel Oliveira, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, aponta que os preços de lácteos no mercado internacional continuam em baixa no início do ano. Segundo ele, os aumentos observados no último leilão da Global Dairy Trade (GDT) devem ser encarados como correções pontuais de preços.

Impactos do Acordo Mercosul-União Europeia

Com a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia em janeiro de 2026, surgem novas expectativas para o comércio bilateral. Embora a ratificação ainda dependa dos países envolvidos, a expectativa é que o acordo elimine gradualmente tarifas sobre mais de 90% dos produtos, beneficiando os consumidores. O setor de lácteos, por sua vez, deve se manter relativamente protegido em algumas áreas, como no caso das cotas de isenção para leite em pó e queijos, que são modestas em comparação ao tamanho dos mercados. O queijo muçarela, por outro lado, ficou fora do acordo e continuará sendo taxado.

A dinâmica de mercado poderá sofrer alterações, especialmente nos nichos de queijos de alto valor agregado, que podem enfrentar maior concorrência da Europa. Além disso, a previsão é de uma redução imediata de 30% nas tarifas para a manteiga.

Cenário Econômico e Desafios no Brasil

No contexto brasileiro, as projeções para 2026 indicam uma desaceleração econômica, com um crescimento do PIB estimado em 1,8%, inferior aos 2,3% do ano anterior. O ambiente eleitoral traz incertezas, como a volatilidade cambial e a expectativa de aumento nos gastos públicos, em um cenário de juros elevados para controlar a inflação.

O curto prazo continua desafiador para os produtores, com a alta oferta pressionando os preços, que caíram para US$ 0,36/kg. No entanto, sinais de recuperação começam a surgir, com o mercado spot apresentando reações positivas. A valorização recente do real frente ao dólar poderá tornar os produtos importados mais competitivos, o que requer monitoramento contínuo.

Outros fatores positivos incluem a recuperação dos preços de bezerras e da arroba do boi, que geram renda adicional para os produtores. A aproximação da entressafra também está começando a influenciar os preços do leite, sugerindo um possível viés de recuperação.

Para 2026, Oliveira recomenda cautela e um planejamento estratégico, enfatizando que as transformações no setor são rápidas e que é essencial aumentar a produtividade e reduzir custos. A evolução tecnológica é um espaço ainda a ser explorado pelo Brasil.

O desempenho do setor em 2024 permitiu que os produtores realizassem investimentos significativos, impulsionados por um clima favorável e maior tecnificação nas propriedades. Glauco Carvalho, também da Embrapa Gado de Leite, observa uma mudança estrutural na produção leiteira, com a concentração em grandes fazendas que lidam melhor com a rentabilidade.

Apesar da queda nos preços ao longo de 2025, os produtores conseguiram manter a rentabilidade média do ano, beneficiados pelo desempenho positivo no primeiro semestre. O Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite/Embrapa) registrou um aumento de 3,0% até dezembro de 2025, comparado a uma inflação oficial de 4,3% no mesmo período.

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