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Receita Federal revisa para R$ 17,2 bilhões a estimativa de arrecadação do IR sobre dividendos

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Receita Federal divulgou que a expectativa de arrecadação do Imposto de Renda sobre dividendos para este ano foi reajustada para R$ 17,2 bilhões. Este montante representa uma redução considerável em comparação com a previsão inicial de R$ 28 bilhões, que constava no Orçamento. Os dados foram apresentados na última sexta-feira (24), durante a publicação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

A tributação dos dividendos foi instituída com o propósito de compensar a diminuição da receita esperada devido à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com rendimento mensal de até R$ 5 mil. Essa medida de isenção, por sua vez, também tem um impacto estimado de R$ 28 bilhões na arrecadação federal para o período.

Análise do Desempenho e Perspectivas Futuras

No primeiro semestre do ano, a performance da nova fonte de receita não atingiu as expectativas. Entre os meses de janeiro e junho, o recolhimento totalizou apenas R$ 2,2 bilhões. A projeção atual da Receita Federal indica que os R$ 15 bilhões restantes para alcançar o total revisado de R$ 17,2 bilhões deverão ser arrecadados no segundo semestre.

Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, enfatizou que o Fisco continuará a monitorar atentamente a projeção para o segundo semestre. Durante a apresentação do relatório, Malaquias afirmou que a meta é coletar cerca de R$ 15 bilhões nos últimos seis meses do ano, totalizando os R$ 17,2 bilhões esperados.

O valor ajustado representa uma frustração de aproximadamente R$ 10,8 bilhões em relação à estimativa original, que havia sido incorporada ao Orçamento do país.

Posicionamento do Governo e Metas Fiscais

Apesar da arrecadação inferior ao previsto, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, considerou prematuro concluir que a estimativa necessitará de uma nova revisão. Ele destacou a natureza não-linear do comportamento dessa receita ao longo do ano. Moretti explicou que o segundo semestre fornecerá mais dados para determinar se a projeção atual se mantém e que novas decisões serão tomadas no próximo relatório bimestral.

O ministro também ressaltou que outras fontes de receita tributária têm superado as projeções, contribuindo para compensar o desempenho aquém do esperado da tributação sobre dividendos. Segundo ele, o governo possui uma margem de R$ 10,8 bilhões na meta de resultado primário, o que confere segurança para o cumprimento com folga do objetivo fiscal, conforme as premissas do relatório.

Entre os relatórios bimestrais divulgados em maio e julho, a estimativa de arrecadação total do Imposto de Renda para o ano teve um aumento de R$ 12,7 bilhões.

Regras da Tributação e Manutenção das Projeções

A tributação de dividendos, implementada como uma das principais estratégias compensatórias, incide sobre a distribuição de lucros a pessoas físicas. A alíquota atual é de 10% para residentes no Brasil e para remessas ao exterior, mantendo-se a isenção para valores de até R$ 50 mil mensais provenientes da mesma empresa.

Mesmo diante da arrecadação abaixo do inicialmente projetado para os dividendos, o governo optou por manter as projeções fiscais estabelecidas no Orçamento. O relatório bimestral indica um superávit primário de R$ 10,8 bilhões para este ano, já considerando as deduções de gastos autorizadas pelo arcabouço fiscal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Esse resultado se enquadra dentro da banda de tolerância da meta fiscal.

A meta central de resultado primário definida para o ano é um superávit de R$ 34,3 bilhões, o equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com uma margem que permite um resultado até 0,5% do PIB. O resultado primário exclui os juros da dívida pública.

A equipe econômica avalia que a frustração na arrecadação de dividendos tem sido parcialmente mitigada por outras fontes de receita, incluindo medidas recentes de ampliação da tributação sobre empresas e investimentos realizados no exterior. A Receita Federal assegurou que continuará acompanhando a performance da tributação sobre dividendos e poderá realizar novas revisões na estimativa de arrecadação no próximo relatório, caso o ritmo de recolhimento persista abaixo do esperado.

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