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Recorde Histórico: Mulheres Conquistam Maior Representação no Congresso Nacional

© Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

As recentes eleições brasileiras marcaram um avanço significativo para a representação feminina no Legislativo Federal, com um número inédito de mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. A bancada feminina na Câmara atingiu 109 parlamentares, um incremento de 21% em relação aos 90 eleitos no pleito anterior.

Esse crescimento ocorreu mesmo com uma redução no número total de candidatas. Enquanto em 2018, 3.317 mulheres disputaram cadeiras de deputada federal, a eleição de 2022 registrou 2.820 candidaturas femininas, uma diminuição de 24%.

No Senado Federal, os eleitores escolheram doze mulheres para ocupar as 54 vagas em disputa, o maior contingente desde a redemocratização. Este resultado supera as oito senadoras eleitas em 2018, quando dois terços da Casa também foram renovados. Com os novos nomes, a composição do Senado passará a contar com dezoito senadoras, um aumento em relação às quinze que atualmente exercem o mandato.

Desafios na Equidade de Gênero

Apesar do notável progresso, a presença feminina continua sendo minoritária em ambas as Casas Legislativas. Na Câmara dos Deputados, as mulheres representarão aproximadamente 21% dos 513 assentos da próxima legislatura. A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu a maior proporção de mulheres, com 34 das 109 eleitas.

A partir do próximo ano, o Senado terá 22,2% de sua composição formada por mulheres, totalizando 18 das 81 cadeiras. As senadoras eleitas no pleito atual assumirão seus mandatos em fevereiro, com duração prevista até 2035.

Em um panorama regional, o Distrito Federal se destacará como a única unidade da Federação a ter três mulheres senadoras, contando com duas novas eleitas e uma já em exercício. Por outro lado, o Piauí permanece como o único estado que nunca elegeu uma mulher para o cargo de senadora.

Contudo, o aumento do número de parlamentares femininas não se traduz automaticamente em uma agenda política focada exclusivamente nos interesses das mulheres. A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, Flávia Biroli, pondera que, com a crescente diversidade de pensamento entre as mulheres eleitas, algumas podem defender perspectivas que não promovem a igualdade de gênero.

Biroli exemplifica que mulheres em cargos eletivos podem representar visões econômicas prejudiciais à maioria feminina, citando o caso da senadora Bia Kicis, que votou contra a legislação de igualdade salarial entre homens e mulheres.

Avanços e Retrocessos na Representação Negra

A representatividade de mulheres negras também registrou um avanço notável, ao menos na Câmara dos Deputados. Um levantamento da Organização Mulheres Negras Decidem indicou a eleição de pelo menos 15 mulheres negras para deputadas federais em 2022, um crescimento de 66,6% em comparação com as 9 eleitas em 2018.

Tainah Pereira, coordenadora política da organização, celebra o progresso e a renovação geracional, notando que a maioria das mulheres negras eleitas é jovem. Ela expressa otimismo quanto à atuação dessas novas lideranças no cenário político.

No Senado, entretanto, houve um revés para a representação negra feminina, já que nenhuma mulher negra foi eleita neste pleito. A senadora Eliziane Gama (PT-MA), que se autodeclara negra, não conseguiu a reeleição.

Outras candidatas negras de destaque também não obtiveram sucesso, como Mariana Silva (Rede), ex-senadora pelo Acre, e Benedita da Silva (PT-RJ), que fez história em 1998 como a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Senado. Historicamente, apenas quatro mulheres negras foram senadoras no Brasil.

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