
A cidade do Rio de Janeiro se transforma em um ponto de encontro para as culturas brasileira e chinesa com a realização da 5ª Mostra de Cinema China Brasil. Com início marcado para a segunda-feira, dia 3 de junho, e estendendo-se até o dia 25 do mesmo mês, o evento, que integra as celebrações do Ano Cultural Brasil-China, oferece ao público a oportunidade de assistir a 14 produções cinematográficas no CineSystem Botafogo, localizado na zona sul carioca, com entrada totalmente gratuita. Os interessados em participar podem adquirir os bilhetes por meio do site Ingresso.com ou diretamente na bilheteria do complexo de cinemas.
Panorama das Projeções Asiáticas
A seleção de filmes chineses destaca-se por apresentar sete títulos nunca antes exibidos no Brasil. Entre as obras de maior projeção, encontra-se “Operação Sombra”, a mais recente aventura estrelada pelo aclamado ator e mestre de artes marciais Jackie Chan, que tem sido um sucesso de bilheteria em seu país de origem. A inclusão dessa produção visa atrair um público amplo e já familiarizado com o trabalho do astro.
Outras exibições notáveis incluem documentários que oferecem uma perspectiva mais profunda e menos estereotipada da China. É o caso de “Yuan Longping: Pai do Arroz”, que narra a história do agrônomo responsável por revolucionar o cultivo do arroz, fundamental para a segurança alimentar do país asiático. O curador Arthur Chen, em entrevista à Agência Brasil, enfatizou a importância de apresentar essa faceta da China, que se dedica intensamente à inovação agrícola para sustentar sua vasta população.
A mostra também apresenta documentários focados na “China do trabalho e da tecnologia”, como “Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro” e “Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota”. A programação chinesa foi meticulosamente elaborada por Arthur Chen, empresário naturalizado brasileiro e nascido na província chinesa de Zhejiang, buscando promover autenticidade, diversidade e empatia por meio da animação “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo”, que, segundo ele, oferece uma janela para a infância chinesa.
A Contribuição Cinematográfica Brasileira
A curadoria brasileira, por sua vez, selecionou obras que passeiam por temas como música, memória e afetividade. O público poderá assistir à cinebiografia “Mamonas Assassinas: O Filme”, aos documentários musicais “Corações a Mil” e “Belchior – Apenas um Coração Selvagem”, ao drama “Nosso Lar 2: Os Mensageiros”, ao retrato do sociólogo Herbert de Souza em “Betinho – A Esperança Equilibrista”, à animação “Tromba Trem: O Filme” e ao documentário “Vai Pra China, Eduardo”.
O produtor Hélio Pitanga, também curador da mostra, explicou à Agência Brasil que a seleção dos filmes nacionais priorizou produções de ficção, documentários e animações que tiveram bom desempenho em festivais, independentemente de terem recebido premiações. Pitanga destacou que a mostra é uma oportunidade única para o público ter acesso gratuito a documentários, que frequentemente têm circulação limitada em salas comerciais. Essa iniciativa visa, segundo ele, fortalecer a integração cultural com a China e oferecer uma ampla gama de opções cinematográficas.
Incentivo à Juventude e Reconhecimento Artístico
Nesta edição, a mostra inova com a estreia do Concurso Jovem Cineasta, uma iniciativa dedicada a jovens de 18 a 29 anos residentes no estado do Rio de Janeiro. Os participantes foram desafiados a criar filmes de um a dois minutos de duração, com a temática “Ano de Relações Culturais China x Brasil”. O objetivo é estimular novos talentos e democratizar o acesso ao audiovisual, aproveitando o potencial das ferramentas digitais e dos smartphones na produção de conteúdo.
A cerimônia de premiação do concurso ocorrerá na terça-feira, 4 de junho, no Palácio Tiradentes, localizado no centro da cidade, durante a abertura oficial da Mostra de Cinema China Brasil. O evento contará com a presença especial da atriz Lucélia Santos. Na mesma noite, todas as 14 produções que compõem a programação da mostra, tanto brasileiras quanto chinesas, receberão o Prêmio Arara Azul, um reconhecimento que sublinha o caráter de exibição e celebração de talentos da mostra, em oposição a um formato competitivo de festival.
