
A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo emitiu um alerta preventivo diante do risco elevado de reintrodução do sarampo no Brasil, especialmente durante a atual temporada de cruzeiros que movimenta o litoral paulista. Com a chegada do verão, a circulação intensa de turistas, incluindo viajantes de diversas partes do mundo onde a doença está ativa, aumenta a preocupação das autoridades de saúde. Embora o Brasil mantenha seu status de país livre de sarampo, com a maioria dos 38 casos notificados em 2025 sendo de origem importada, a vigilância contínua e a atualização vacinal da população são cruciais para evitar um cenário de surto, como os dois casos já registrados em São Paulo este ano.
Vigilância sanitária reforçada em período de alta mobilidade
A temporada de cruzeiros no litoral de São Paulo representa um ponto estratégico para a vigilância epidemiológica. Navios que atracam em portos paulistas trazem consigo milhares de passageiros e tripulantes de diversas nacionalidades, alguns provenientes de regiões com surtos ativos de sarampo. Este fluxo constante de pessoas cria um ambiente propício para a importação do vírus, mesmo que não haja circulação endêmica da doença no território nacional. A preocupação da Secretaria de Saúde de São Paulo reside na rápida capacidade de transmissão do sarampo, que é uma das doenças mais contagiosas conhecidas. A reintrodução do vírus em uma população com baixas taxas de cobertura vacinal pode gerar um impacto significativo na saúde pública.
O contexto global e a ameaça de reintrodução
O sarampo, apesar de controlável por vacinação, continua sendo uma ameaça global. Muitos países, especialmente na Europa, África e algumas partes da Ásia, enfrentam surtos ativos da doença devido a quedas nas taxas de vacinação. Essa realidade global coloca em risco países como o Brasil, que, após anos de esforço, conquistou e mantém o certificado de eliminação do sarampo, o que significa que não há transmissão sustentada do vírus em território nacional. Os casos registrados em 2025, embora em número relativamente baixo (38 em todo o país, com 2 em São Paulo), servem como um lembrete da fragilidade desse status. A maioria desses casos é classificada como “importada”, ou seja, foram contraídos em outro país e detectados aqui, reforçando a necessidade de barreiras sanitárias eficazes e conscientização da população que viaja ou tem contato com viajantes internacionais.
Medidas preventivas essenciais para proteger a comunidade
Diante do cenário de risco, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo enfatiza a importância de um conjunto de medidas preventivas que vão além da vacinação, mas que se complementam para criar uma barreira robusta contra a propagação do vírus do sarampo e outras doenças respiratórias. Essas recomendações são direcionadas não apenas aos viajantes, mas a toda a população, especialmente àqueles que frequentam locais de grande aglomeração ou têm contato com um fluxo constante de pessoas, como trabalhadores do setor turístico. A adoção dessas práticas é um ato de responsabilidade individual e coletiva, essencial para a proteção da saúde pública e a manutenção do status de país livre do sarampo.
A importância da vacinação tríplice viral
A vacinação é, sem dúvida, a medida mais eficaz e primária na prevenção do sarampo. A vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é recomendada para todas as pessoas que irão embarcar em cruzeiros, seja a turismo ou a trabalho, e para aquelas que estarão expostas em aglomerações. O ideal é que a vacinação seja realizada com, no mínimo, 15 dias de antecedência da potencial exposição. Esse período é crucial para que o sistema imunológico desenvolva a proteção necessária. A vacinação deve seguir o esquema recomendado para cada faixa etária, e em caso de dúvida sobre o histórico vacinal, é fundamental procurar um serviço de saúde para atualização. A cobertura vacinal adequada na comunidade cria uma “imunidade de rebanho”, protegendo também aqueles que não podem ser vacinados por motivos de saúde.
Hábitos de higiene e conduta para evitar a propagação
Além da vacinação, a Secretaria de Saúde de São Paulo ressalta a importância de medidas auxiliares para evitar a exposição e a transmissão do sarampo. Tais práticas são igualmente relevantes para a prevenção de outras doenças infecciosas, especialmente em ambientes fechados ou com grande circulação de pessoas:
Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir, preferencialmente com um lenço descartável ou com a parte interna do cotovelo, evitando usar as mãos.
Lavar as mãos com frequência com água e sabão por pelo menos 20 segundos, ou utilizar álcool em gel 70% quando não houver acesso à água e sabão. A higiene das mãos é uma das formas mais simples e eficazes de prevenir a propagação de germes.
Não compartilhar copos, talheres, garrafas e alimentos, pois esses itens podem ser vetores de contaminação.
Evitar levar as mãos à boca, olhos ou nariz, que são portas de entrada para o vírus no organismo.
Evitar aglomerações ou locais pouco arejados, especialmente se houver pessoas doentes. Ambientes fechados e lotados favorecem a transmissão de doenças respiratórias.
Manter os ambientes frequentados sempre limpos e ventilados, abrindo janelas e portas sempre que possível para promover a circulação do ar.
Evitar contato próximo com pessoas doentes, mantendo uma distância segura para reduzir o risco de contaminação.
Atenção e ação rápida no retorno da viagem
A vigilância não termina com o desembarque. A Secretaria de Saúde orienta que, no retorno de viagens, especialmente de cruzeiros ou de regiões com surtos, a população permaneça atenta a sintomas suspeitos. Caso surjam sinais da doença até 30 dias após a viagem, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente. Os sintomas de sarampo incluem febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo (exantema), acompanhadas de tosse, coriza ou conjuntivite.
Ao procurar um serviço de saúde, é crucial informar o histórico de deslocamento, mencionando a viagem de cruzeiro ou para outras localidades. Essa informação é vital para o diagnóstico correto e para que as medidas de controle e isolamento sejam tomadas rapidamente, evitando a circulação em locais públicos e a possível transmissão do vírus a outras pessoas. A rapidez na identificação e isolamento de casos suspeitos é a chave para conter a disseminação e proteger a comunidade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Quais são os principais sintomas do sarampo?
O sarampo geralmente começa com febre alta, que pode durar de 4 a 7 dias, acompanhada de tosse persistente, coriza, conjuntivite e pequenas manchas brancas dentro da boca (manchas de Koplik). Após alguns dias, surge uma erupção cutânea avermelhada, que começa no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se pelo corpo.
2. Quem deve se vacinar contra o sarampo antes de embarcar em um cruzeiro?
Todas as pessoas que vão viajar a turismo ou a trabalho em cruzeiros, bem como aquelas que estarão expostas em aglomerações, devem verificar e atualizar sua situação vacinal para a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A vacinação é recomendada com, no mínimo, 15 dias de antecedência da potencial exposição.
3. O Brasil está enfrentando um surto de sarampo atualmente?
Não há um surto de sarampo no Brasil atualmente, e o país mantém o certificado de área livre da doença. Os casos registrados em 2025 (38 no total, 2 em São Paulo) são majoritariamente importados, o que significa que foram contraídos fora do país. A vigilância é intensificada para evitar a reintrodução e a circulação interna do vírus.
4. O que devo fazer se apresentar sintomas de sarampo após uma viagem?
Se surgirem sintomas como febre, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse, coriza ou conjuntivite até 30 dias após a viagem, procure imediatamente um serviço de saúde. É fundamental informar o histórico de deslocamento e evitar a circulação em locais públicos para prevenir a possível transmissão.
Para proteger sua saúde e a da comunidade, certifique-se de que sua vacinação contra o sarampo está em dia e adote as medidas preventivas recomendadas. Em caso de dúvidas sobre sua situação vacinal ou se apresentar sintomas, procure a unidade de saúde mais próxima.
