
Uma proposta recente apresentada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, visa criar um “Selo Acurácia Eleitoral” para premiar institutos de pesquisa. Contudo, a iniciativa gerou discussões ao incluir, entre suas categorias de reconhecimento, as pesquisas de boca de urna, um modelo que não é mais amplamente realizado há aproximadamente oito anos.
Detalhes da Premiação Proposta
A minuta, que foi submetida a dirigentes de institutos de pesquisa, delineia um sistema de premiação para as empresas cujos levantamentos mais se aproximarem dos resultados oficiais das eleições de 2026. Denominado Selo Acurácia Eleitoral, o programa prevê duas classificações distintas: uma dedicada às pesquisas divulgadas na semana que antecede o pleito e outra voltada especificamente para as investigações realizadas com eleitores no dia da votação, após deixarem as seções eleitorais, conhecidas popularmente como “bocas de urna”.
A inclusão da categoria de “boca de urna” causou surpresa, visto que sua última rodada de grande escala para cargos majoritários ocorreu nas eleições de 2018. Desde então, este tipo de levantamento foi progressivamente abandonado por institutos de pesquisa. Os fatores para tal descontinuação incluem os elevados custos operacionais e a rápida divulgação dos resultados oficiais proporcionada pelas urnas eletrônicas, que tornaram esse tipo de pesquisa menos relevante para o cenário atual. O Ibope foi um dos últimos a realizar esse modelo de pesquisa em âmbito nacional e para alguns governos estaduais em 2018.
Críticas e Entendimento sobre a Função das Pesquisas
A proposta do ministro Kassio Nunes Marques contrasta com o entendimento consolidado entre especialistas e diretores de institutos, que veem as pesquisas como um instrumento para capturar o cenário político em um determinado momento, e não para prever desfechos eleitorais. A função primordial é a de diagnosticar tendências e não a de prognosticar resultados finais.
Exigir um “acerto” preciso de uma pesquisa divulgada uma semana antes do pleito pressuporia a ausência de alterações nas intenções de voto durante os dias que antecedem a votação, uma premissa que se mostra irreal no dinâmico contexto eleitoral.
Contexto e Diálogo com Institutos
O ministro Kassio Nunes Marques, que assumiu a presidência do TSE em maio e conduzirá a Justiça Eleitoral durante as próximas eleições gerais de outubro, formula esta proposta em um cenário de busca por uma solução para o episódio envolvendo a pesquisa da AtlasIntel.
Em junho, uma decisão liminar de Kassio Nunes Marques suspendeu a divulgação de um levantamento da AtlasIntel. A suspensão foi motivada pela avaliação de que a inclusão de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro poderia ter influenciado as respostas dos entrevistados. A análise plenária dessa decisão foi interrompida por um pedido de vista da ministra Estela Aranha.
Desde então, o presidente do TSE tem promovido o diálogo com os institutos de pesquisa, buscando estabelecer parâmetros gerais mais abrangentes para a atuação do setor. O objetivo é transcender a discussão sobre a punição a uma empresa ou metodologia específica, focando na formulação de diretrizes mais amplas para o campo das pesquisas eleitorais.
