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Sul de Santa Catarina: A região brasileira dos vinhos raros e da

Uva Goethe produz um vinho raro e de sabor único. (Foto: Divulgação/Progoethe)

Uma região pouco conhecida pela tradição vinícola brasileira, o sul de Santa Catarina tem se consolidado como um verdadeiro tesouro enológico, destacando-se globalmente pela produção de vinhos elaborados a partir da peculiar uva Goethe. Esta variedade, rara em escala mundial, encontrou nas terras catarinenses o terroir ideal para expressar seu potencial máximo, resultando em rótulos que surpreendem paladares e conquistam reconhecimento internacional. A dedicação de produtores locais e a particularidade do clima e solo da região transformaram o que poderia ser uma curiosidade em um polo de excelência, elevando o status do vinho brasileiro e colocando o sul de Santa Catarina no mapa dos grandes produtores de vinhos singulares. A história da uva Goethe e sua jornada até se tornar um vinho raro é um testemunho da resiliência e inovação da vitivinicultura nacional.

A singularidade da uva Goethe e sua jornada no sul de Santa Catarina

O que torna o sul de Santa Catarina um local tão especial para a vitivinicultura é a simbiose perfeita entre a uva Goethe e o seu ambiente. Esta casta, que não é uma Vitis vinifera tradicional, mas sim um híbrido americano, tem uma história fascinante e uma adaptabilidade notável.

A origem de uma variedade peculiar

A uva Goethe não possui a mesma ancestralidade nobre de castas europeias como Cabernet Sauvignon ou Chardonnay. Ela é um híbrido complexo, resultado de cruzamentos naturais ou induzidos, popularizado nos Estados Unidos no início do século XX e introduzido no Brasil por volta da década de 1930. Chegou ao sul de Santa Catarina por meio de imigrantes italianos e alemães, que buscavam variedades resistentes a doenças e adaptáveis às condições climáticas da região. Inicialmente, a Goethe era utilizada principalmente para o consumo in natura e para a produção de vinhos caseiros de consumo local. Sua robustez e boa produtividade a tornaram uma escolha prática para os colonos, que, sem o conhecimento técnico das grandes vinícolas, conseguiam obter bons resultados.

No entanto, foi apenas nas últimas décadas que o potencial da Goethe para a produção de vinhos finos começou a ser explorado. Enólogos e produtores visionários perceberam que, com técnicas de viticultura e vinificação adequadas, a uva poderia transcender seu status de “uva de mesa” e gerar vinhos de personalidade única. A uva Goethe é caracterizada por sua alta acidez, aromas intensos de frutas cítricas, maçã verde, maracujá e, por vezes, um toque mineral. Sua casca espessa a torna mais resistente a pragas e doenças, um benefício inestimável em regiões com alta umidade, como o litoral catarinense. Esta resistência natural permite uma menor intervenção química, favorecendo práticas mais sustentáveis no cultivo.

O terroir ideal: clima e solo de santa catarina

O sul de Santa Catarina oferece um microclima e um tipo de solo que são cruciais para a expressão única da uva Goethe. A região, situada em altitudes que variam de cerca de 30 a 500 metros acima do nível do mar, beneficia-se da influência oceânica, que modera as temperaturas e contribui para uma amplitude térmica significativa entre o dia e a noite. Essa variação de temperatura é vital para a maturação lenta e equilibrada das uvas, preservando a acidez e desenvolvendo os compostos aromáticos que definem o caráter do vinho Goethe.

O solo predominantemente granítico, com boa drenagem e moderada fertilidade, também desempenha um papel fundamental. Solos menos férteis “estressam” a videira de forma positiva, fazendo com que ela concentre seus esforços na produção de frutos de maior qualidade, em vez de folhagem excessiva. A composição mineral do solo contribui para as notas minerais muitas vezes encontradas nos vinhos Goethe, adicionando complexidade e profundidade. A combinação de temperaturas amenas, brisas marítimas e solos bem estruturados cria um ambiente que realça as qualidades intrínsecas da uva, permitindo que ela produza bagos com a acidez vibrante e os aromas frutados e florais que são a marca registrada dos vinhos da região. Essa interação entre a variedade da uva e o ambiente geográfico é o que define o verdadeiro significado de “terroir”.

O processo artesanal e a ascensão dos vinhos goethe

A transformação da uva Goethe, de uma casta rústica para a estrela de vinhos raros, é um testemunho da paixão e do rigor técnico dos produtores do sul de Santa Catarina. O processo, desde o cuidado no vinhedo até a delicada vinificação, é fundamental para preservar e realçar as qualidades únicas desta uva.

Do vinhedo à garrafa: a arte da vinificação

A viticultura da uva Goethe no sul de Santa Catarina é marcada por um trabalho manual intensivo e uma atenção meticulosa. Dada a acidez natural da uva, o momento da colheita é crucial. Os produtores monitoram constantemente a maturação, buscando o equilíbrio ideal entre açúcares, acidez e compostos fenólicos. A colheita geralmente ocorre mais cedo do que para muitas outras variedades, para preservar a frescura e a vivacidade características do vinho Goethe. Muitos produtores optam pela colheita noturna ou nas primeiras horas da manhã, quando as temperaturas estão mais baixas, minimizando a oxidação e mantendo a integridade aromática das uvas.

Na vinícola, o processo de vinificação é cuidadosamente adaptado para maximizar a expressão aromática e a acidez natural da Goethe. A fermentação é frequentemente realizada em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada. Este método ajuda a preservar os aromas primários e secundários, característicos da uva, como notas de pêssego, lichia, maçã verde e flor de laranjeira. O uso de leveduras selecionadas também é comum para guiar a fermentação e realçar perfis aromáticos específicos. Alguns produtores experimentam a maceração pelicular curta para extrair mais aromas e textura, enquanto outros buscam uma vinificação totalmente limpa para um estilo mais fresco e mineral. O envelhecimento é geralmente breve, visando manter a jovialidade e a acidez crocante, embora algumas vinícolas estejam começando a explorar o potencial da Goethe para envelhecimento em garrafa ou, em menor escala, em barris neutros para adicionar complexidade sem sobrecarregar a fruta.

Perfil sensorial e reconhecimento global

O vinho Goethe resultante dessas práticas é uma experiência sensorial distinta. Visualmente, ele apresenta uma coloração amarelo-esverdeada brilhante. No nariz, a complexidade aromática é notável, com predominância de frutas tropicais (maracujá, abacaxi), frutas de polpa branca (pera, maçã verde), notas cítricas vibrantes e, frequentemente, toques florais e minerais, que remetem a um frescor quase salino. Na boca, a característica mais marcante é sua acidez elevada, que confere uma refrescância excepcional e uma persistência notável. É um vinho leve, elegante, com um final longo e limpo, que o torna extremamente versátil para harmonização gastronômica.

Os vinhos Goethe harmonizam perfeitamente com frutos do mar, peixes leves, saladas, queijos frescos e até mesmo pratos da culinária asiática, devido à sua capacidade de limpar o paladar e complementar sabores complexos. Sua raridade e perfil único têm atraído a atenção de críticos e especialistas em vinho. Nos últimos anos, vários rótulos de vinho Goethe do sul de Santa Catarina têm recebido prêmios em concursos nacionais e internacionais, colocando a região em destaque. Esse reconhecimento não apenas valoriza o trabalho dos produtores, mas também solidifica a uva Goethe como uma variedade com potencial para competir no cenário global de vinhos finos, desafiando a hegemonia das castas mais tradicionais.

Impacto regional e o futuro da vitivinicultura goethe

A ascensão dos vinhos Goethe vai além do produto final; ela impulsionou uma verdadeira transformação econômica e cultural no sul de Santa Catarina, prometendo um futuro promissor, mas também repleto de desafios.

Transformação econômica e cultural

A produção de vinhos a partir da uva Goethe revitalizou a economia de diversas comunidades no sul catarinense. Pequenos produtores rurais, que antes dependiam de culturas tradicionais com menor valor agregado, encontraram na vitivinicultura uma nova fonte de renda e uma perspectiva de futuro. A criação de vinícolas gerou empregos diretos e indiretos, desde o cultivo das uvas e a vinificação até a comercialização, o turismo e a gastronomia local. O enoturismo, em particular, tem se tornado um motor de desenvolvimento, atraindo visitantes que buscam experiências autênticas, degustações e a oportunidade de conhecer de perto o processo de produção de um vinho raro. Roteiros turísticos foram desenvolvidos, incluindo visitas a vinícolas, restaurantes que harmonizam pratos locais com vinhos Goethe e pousadas charmosas.

Culturalmente, a uva Goethe resgatou a herança dos imigrantes que a trouxeram para a região. O vinho Goethe tornou-se um símbolo de identidade local, celebrando a capacidade de inovação e a dedicação dos moradores. Festivais e eventos dedicados à uva e ao vinho fortalecem o senso de comunidade e promovem a cultura enológica. Essa valorização cultural contribui para a fixação de jovens na área rural, que veem na viticultura uma profissão viável e valorizada, combatendo o êxodo rural.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar do sucesso, o caminho para o futuro da vitivinicultura Goethe no sul de Santa Catarina não está isento de desafios. Um dos principais é a adaptação às mudanças climáticas, que podem afetar a maturação das uvas e a sanidade dos vinhedos. A pesquisa e o desenvolvimento de novas técnicas de manejo e variedades mais resistentes serão essenciais. Outro desafio é a expansão do mercado. Embora o vinho Goethe seja raro e valorizado, sua produção em pequena escala pode limitar seu alcance global. É preciso investir em marketing e branding para consolidar a imagem da região e de seus vinhos no cenário internacional, diferenciando-se pela qualidade e singularidade.

A sustentabilidade é uma perspectiva fundamental. Muitos produtores já adotam práticas ecológicas, mas a busca por certificações e a implementação de tecnologias verdes na viticultura e vinificação serão cruciais para garantir a longevidade e a resiliência do setor. A inovação contínua, explorando diferentes estilos de vinho (espumantes, vinhos de sobremesa, experimentações com madeira) e aprimoramento das técnicas de vinificação, também garantirá que os vinhos Goethe continuem a surpreender e encantar. O sul de Santa Catarina tem o potencial para se tornar não apenas um produtor de vinhos raros, mas um modelo de desenvolvimento sustentável e valorização da identidade regional através da vitivinicultura.

Perguntas frequentes

O que torna o vinho Goethe raro?
O vinho Goethe é considerado raro devido à exclusividade da uva Goethe, uma variedade híbrida que é cultivada em pouquíssimas regiões do mundo. Sua maior e mais expressiva produção se concentra no sul de Santa Catarina, Brasil, onde encontrou um terroir ideal para desenvolver características aromáticas e de acidez únicas, resultando em um perfil de sabor distinto e difícil de replicar.

Qual a região do Brasil que produz vinho Goethe?
A principal e mais reconhecida região produtora de vinho Goethe no Brasil é o sul do estado de Santa Catarina, abrangendo municípios próximos à costa, como Urussanga, Azambuja, Pedras Grandes e Cocal do Sul, entre outros.

A uva Goethe é nativa do Brasil?
Não, a uva Goethe não é nativa do Brasil. Ela é uma variedade híbrida de origem americana, desenvolvida nos Estados Unidos no início do século XX, e foi introduzida no Brasil por imigrantes no sul de Santa Catarina por volta da década de 1930.

Quais são as características do vinho Goethe?
Os vinhos Goethe são tipicamente brancos, com uma coloração amarelo-esverdeada brilhante. No aroma, destacam-se notas de frutas tropicais (maracujá, abacaxi), frutas de polpa branca (maçã verde, pera), cítricos e, por vezes, toques florais e minerais. No paladar, sua principal característica é a alta acidez vibrante, que confere grande frescor e persistência, resultando em um vinho leve e elegante.

Explore a riqueza do sul de Santa Catarina e descubra os vinhos Goethe que encantam o mundo com sua singularidade. Visite as vinícolas da região e deguste essa rara expressão do terroir brasileiro.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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