
Um navio de origem africana, que ficou à deriva no Oceano Atlântico, foi rebocado para o Porto de Fortaleza na última semana. A embarcação contava com uma tripulação de 11 pessoas, sendo nove originárias de Gana, uma da Holanda e outra da Albânia.
Dentre os tripulantes, apenas os dois europeus possuem visto para circular no Brasil, o que lhes permite transitar livremente pela capital cearense. Por outro lado, os nove ganenses estão restritos a se deslocar apenas na companhia de uma autoridade, devido à falta de documentação.
Condições do Resgate e Atendimento Médico
Após 61 dias à deriva, a tripulação recebeu atendimento médico na UPA da Praia do Futuro logo após a chegada ao Porto de Fortaleza. O navio, que era de uma empresa mauritana, partiu do Senegal com destino à Guiné-Bissau para regularizações documentais. A viagem, que deveria durar cerca de 48 horas, foi interrompida por problemas hidráulicos.
O capitão do navio, John Wesley Stuart, relatou que a comunicação com o mundo exterior se limitou ao uso de rádio VHF, o que dificultou o contato com outras embarcações. Em determinado momento, um navio holandês tentou auxiliar, acionando a Marinha do Brasil para o resgate.
A Marinha do Brasil mobilizou uma operação de resgate, enviando o Navio-Patrulha Oceânico Araguari e a Corveta Caboclo para interceptar a embarcação. Posteriormente, o Navio Rebocador de Alto-Mar Triunfo concluiu a operação, levando o navio para Fortaleza.
As autoridades, incluindo a Polícia Federal, estão verificando a situação migratória dos tripulantes e trabalhando em conjunto com a Marinha para adotar as medidas necessárias.
Questões de Saúde e Apoio Humanitário
Segundo informações da Polícia Federal, a tripulação foi resgatada em condições precárias, com restrições de higiene e acesso à água potável, além de altos níveis de estresse. A Secretaria de Direitos Humanos do Ceará acompanhou o atendimento clínico dos tripulantes, que receberam cestas básicas para suas necessidades durante o feriado.
A coordenadora da Política Estadual para Migrantes e Refugiados, Jamina Teles, confirmou que os tripulantes apresentavam problemas de saúde, incluindo hipertensão e diabetes, agravados pela falta de medicação durante o período à deriva.
