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Trump Declara Fim de Acordo com Irã Após Nova Rodada de Ataques no Oriente Médio

Redação O Estado CE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) o término do acordo de desescalada com o Irã. A declaração surge após uma nova série de ataques retaliatórios da teocracia iraniana contra alvos americanos localizados em nações do Golfo Pérsico, indicando uma intensificação das hostilidades na região.

A renovação da violência no Oriente Médio provocou turbulência nos mercados globais. O preço do petróleo Brent, referência internacional, registrou um aumento de 5%, enquanto as bolsas de valores na Ásia e na Europa apresentaram quedas significativas em reação à escalada do conflito.

Retórica Presidencial e Cenário Diplomático

Em Ancara, na Turquia, durante a cúpula da aliança militar ocidental, Trump expressou frustração, classificando os iranianos como “mentirosos” e “loucos”, afirmando que negociar com eles é “uma perda de tempo”. Ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o líder americano reiterou que, para ele, o acordo estava encerrado. Contudo, em uma típica guinada em seu estilo, Trump também sinalizou uma possível abertura para futuras negociações.

“Vou conversar com nossos negociadores. Eles desejam negociar, são pessoas competentes — Steve Witkoff, Jared Kushner — mas é preciso que eles falem comigo”, complementou o presidente, mantendo um tom ambíguo sobre o futuro das relações diplomáticas.

Escalada da Violência e Respostas Mútuas

A escalada de tensões foi desencadeada por um novo ciclo de violência entre as duas nações, que haviam estabelecido uma trégua de 60 dias em 17 de junho. O Irã atacou três petroleiros que navegavam pelo estratégico Estreito de Hormuz, violando o compromisso de garantir a liberdade de navegação na área.

Em resposta, na transição de terça para quarta-feira, os Estados Unidos executaram o mais intenso bombardeio desde a implementação do memorando de entendimento com Teerã. Este acordo havia temporariamente encerrado um conflito de cinco semanas, iniciado no final de fevereiro, envolvendo os EUA e Israel contra a teocracia iraniana.

Sessenta alvos ligados às operações militares iranianas no Estreito de Hormuz, em regiões costeiras, foram atingidos. A Guarda Revolucionária Iraniana retaliou com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, incluindo Bandar Salman e o Quinto Distrito Naval, e a base Ali al Salem, no Kuwait. Os iranianos também alegaram ter abatido um drone MQ-9 Reaper americano.

Reações Internacionais e Posição Iraniana

Na cúpula de Ancara, a Otan expressou solidariedade a Trump, apesar das frequentes críticas do líder americano à aliança. Mark Rutte, da Holanda, classificou os ataques como “absolutamente necessários”, afirmando ser crucial a reação americana diante da violação iraniana do cessar-fogo. Em contraste, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, manifestou preocupação, lamentando que a troca de ataques complique a normalização da situação no Oriente Médio.

Do lado iraniano, a postura é de desafio. A chancelaria do país declarou o acordo com os EUA como inválido e protestou não apenas contra os bombardeios, mas também contra as ações contínuas de Israel no Líbano e a revogação americana da licença temporária para a venda de petróleo iraniano, um ponto do memorando original.

“A responsabilidade pelas perigosas consequências desta escalada de tensões recai sobre o regime americano renegado”, afirmou o ministério em nota. Mohammad Baghaer Ghalibaf, principal negociador iraniano e presidente do parlamento, ecoou os sentimentos, declarando no X (antigo Twitter) que “a era de intimidação e extorsão acabou” e que o Irã não cederá, em meio às cerimônias fúnebres do líder supremo Ali Khamenei, que faleceu no primeiro dia do conflito.

A mídia iraniana reportou que as cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, bem como a ilha de Qeshm, todas utilizadas pela Guarda Revolucionária no Estreito, foram alvejadas. Além disso, explosões foram noticiadas em Kharg, uma ilha que era o principal ponto de exportação de petróleo bruto do Irã antes do conflito, embora os EUA não tenham confirmado operações nesse local. Não houve relatos de feridos.

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