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Uso Prolongado de Telas Potencializa Síndrome do Olho Seco em Jovens

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A utilização contínua de dispositivos eletrônicos, como smartphones e tablets, entre o público infantojuvenil está diretamente ligada à diminuição do piscar, um ato reflexo crucial para a hidratação ocular. Essa redução na frequência do piscar tem sido um fator preponderante para o aumento da incidência da síndrome do olho seco, uma queixa cada vez mais comum nos consultórios especializados em oftalmologia pediátrica.

A condição é caracterizada pela falha na lubrificação adequada da superfície ocular, decorrente tanto da produção insuficiente de lágrimas quanto da sua evaporação excessiva. Os sintomas típicos incluem a sensação de corpo estranho nos olhos, ardência, prurido, vermelhidão e episódios de visão turva.

Influência da Proximidade e do Ambiente

A oftalmologista Ana Paula Silverio, durante um debate no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026) em Salvador, explicou que a prolongada permanência diante de telas, especialmente quando posicionadas muito próximas ao rosto e aos olhos, reduz drasticamente a taxa de piscar. Essa baixa frequência de movimento palpebral favorece a rápida evaporação do filme lacrimal, desencadeando o ressecamento ocular.

Silverio observa um padrão nas consultas, onde pais procuram auxílio devido a relatos de desconforto visual e piscar em excesso por parte de seus filhos. O risco se intensifica entre adolescentes, que dedicam grande parte de seu tempo de tela aos celulares. Esses dispositivos, apesar de menores, são os que mais tendem a prejudicar a visão devido à proximidade e ao uso frequente.

Um agravante adicional para os adolescentes é o hábito de utilizar os dispositivos móveis em ambientes com pouca ou nenhuma iluminação, frequentemente dentro de seus quartos. Enquanto crianças menores ainda participam de atividades recreativas que envolvem menos tempo de tela, a realidade dos adolescentes é marcada por um uso intensivo dos aparelhos para estudos e lazer, gerando preocupação entre os responsáveis.

Limitação do Tempo de Tela como Prevenção

A especialista reconhece o desafio de reduzir o contato com a tecnologia na era digital, mas salienta a importância de implementar limites de uso. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda um máximo de duas horas diárias de exposição a telas para crianças acima de seis anos e adolescentes, uma diretriz crucial para mitigar os impactos negativos na saúde ocular e promover o bem-estar visual.

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