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Confronto entre EUA e Irã se Intensifica com Novas Ofensivas e Impacto em Ormuz

© Reuters/Arquivo/Proibida reprodução

A tensão geopolítica no Oriente Médio atingiu um novo patamar nesta segunda-feira (20), com forças dos Estados Unidos executando ofensivas contra o Irã pelo nono dia consecutivo. Este ciclo de confrontos ocorre em meio a crescentes apreensões sobre a segurança da navegação no vital Estreito de Ormuz, impulsionadas pelo anúncio iraniano de explosões envolvendo dois petroleiros na região.

Em resposta às ações americanas, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã divulgou ter lançado mísseis contra aeronaves dos EUA estacionadas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia. Além disso, a milícia iraniana reivindicou a autoria de ataques direcionados a equipamentos e recursos militares dos Estados Unidos em localidades estratégicas como o acampamento de Al-Adiri e a Base Aérea de Ali Al Salem, ambos no Kuwait, bem como em território sírio.

O cenário regional refletiu a escalada, com sirenes de alerta ativadas no Bahrein, conforme confirmado pelo Ministério do Interior local. Paralelamente, as forças armadas do Kuwait anunciaram a interceptação de drones que, segundo o país, faziam parte de uma ofensiva iraniana contra seu território.

Esta série de agressões mútuas representa uma intensificação do embate entre Washington e Teerã, desencadeada pelo fracasso de um acordo de cessar-fogo provisório firmado há um mês. O conflito tem acirrado a disputa pela hegemonia sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial, gerando interrupções no fornecimento de energia global e acendendo preocupações com uma possível inflação em escala mundial.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou, por meio de um comunicado oficial, o lançamento de uma “nova onda de ataques”. O objetivo declarado da operação é “prejudicar” a capacidade do regime iraniano de mirar em navios mercantes que transitam pelas rotas marítimas estratégicas do estreito. O comunicado, contudo, não detalhou as especificidades dessas ações.

Em contrapartida, a agência de notícias iraniana Tasnim, de natureza semioficial, reportou, com base em informações de seus correspondentes, que mísseis americanos atingiram diversas cidades iranianas durante a madrugada de segunda-feira. De acordo com a Tasnim, detonações foram percebidas em centros urbanos como Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini.

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou a postura de Washington, declarando que as ofensivas americanas contra o Irã persistirão enquanto Teerã mantiver seus ataques à navegação comercial internacional. Rubio enfatizou que “o Estreito de Ormuz constitui uma via navegável internacional”, e que os iranianos “continuam a alvejar embarcações nesta rota vital”. Ele acrescentou que a insistência do Irã em exercer controle sobre essa passagem exigirá uma resposta contundente dos EUA, embora a diplomacia continue sendo uma via aberta para uma resolução.

Incidentes no Estreito de Ormuz e Implicações

As autoridades do Kuwait também divulgaram que uma usina de dessalinização foi alvo de ataques pelo segundo dia consecutivo, resultando em um incêndio. O governo kuwaitiano classificou o incidente como uma agressão direta contra infraestruturas civis de importância crítica para o país.

A apreensão quanto à movimentação de suprimentos energéticos através do Estreito de Ormuz perdura desde a reabertura das hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Ambos os países se culpam mutuamente por violações recorrentes de um acordo de cessar-fogo anterior.

No final do domingo, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) comunicou ter recebido um aviso sobre uma embarcação em chamas na costa de Omã. No entanto, a organização não pôde confirmar a causa do incêndio até o momento.

A Guarda Revolucionária Iraniana divulgou que dois petroleiros explodiram enquanto tentavam atravessar uma “rota sul insegura” pelo Estreito de Ormuz. O grupo militar alegou que as Forças Armadas dos EUA haviam encorajado as embarcações a utilizar essa passagem. A agência Reuters não conseguiu verificar a informação de forma independente. O comunicado da Guarda Revolucionária omitiu detalhes como os nomes dos navios, suas bandeiras, o número de tripulantes ou a ocorrência de vítimas.

Em tom de advertência, a Guarda Revolucionária declarou que a rota marítima permanecerá perigosa enquanto a “agressão” norte-americana na região persistir. A entidade iraniana alertou que “essa passagem não oferecerá segurança para o transporte de produtos petroquímicos, nem mesmo para uma única gota de petróleo e gás”.

O fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz diminuiu significativamente, com apenas quatro navios registrando passagem no domingo, em comparação com os oito do dia anterior. Desde sexta-feira, pelo menos três petroleiros e um superpetroleiro ingressaram na via para carregamento de combustível. No mercado internacional, os preços do petróleo registraram alta de 2% nesta segunda-feira, superando a marca de US$ 90 o barril.

Baixas Militares e Contexto do Conflito

No mais recente relatório de baixas americanas, as Forças Armadas dos EUA confirmaram, no domingo, a morte de um militar no norte do Iraque, onde mantêm bases. O incidente ocorreu no sábado (18) durante a detonação controlada de uma munição que não havia explodido, pertencente a um drone iraniano anteriormente abatido, segundo informações do Comando Central.

Previamente, as Forças Armadas americanas haviam reportado a perda de dois militares na Jordânia, com um terceiro declarado desaparecido em combate. O Comando Central atualizou a informação no domingo, anunciando a descoberta de “restos mortais não identificados” no local do ataque da sexta-feira, e que um “processo de exame para verificação dos restos mortais está em andamento”.

Com esses novos registros, o número total de militares norte-americanos falecidos desde o início do conflito alcançou 17, além de mais de 420 feridos. A origem dessa escalada remonta a 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, visando desativar os programas nucleares e de mísseis de Teerã e enfraquecer o regime.

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