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Retomado Julgamento Administrativo de Tenente-Coronel da PM Acusado da Morte de Gisele Alves em São Paulo

G1

O processo administrativo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Neto da Polícia Militar será retomado em 14 de setembro, na cidade de São Paulo. O oficial é alvo de uma acusação de assassinato contra sua esposa, a soldado Gisele Alves, ocorrido em fevereiro. A deliberação sobre seu futuro na corporação ocorrerá por videoconferência.

O Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar, responsável por analisar a conduta do tenente-coronel, busca determinar se ele mantém as condições éticas e funcionais necessárias para seguir nas fileiras da PM. Iniciado em abril, o procedimento pode culminar na perda do posto e da patente de Neto, que atualmente está detido preventivamente.

Audiência de Setembro e Testemunhas de Defesa

A próxima etapa do julgamento, agendada para as 9h, contemplará a oitiva das testemunhas indicadas pela defesa do tenente-coronel. Atualmente, Geraldo Neto permanece recolhido no Presídio Militar Romão Gomes, localizado na Zona Norte de São Paulo, aguardando o desfecho das apurações.

Em audiências anteriores, realizadas em maio, o Conselho de Justificação já havia coletado depoimentos de policiais militares. Entre eles, três amigas da vítima narraram um padrão de controle, ciúme e possessividade por parte do tenente-coronel. Um oficial que atuou no atendimento da ocorrência também foi ouvido, expressando surpresa com a preservação da cena do crime no apartamento do casal, no Centro da capital.

Consta ainda que o tenente-coronel teria tentado intimidar colegas de patente inferior durante o atendimento inicial no local onde Gisele foi baleada, em um comportamento registrado pelas câmeras corporais (body cams) dos agentes. As amigas da soldado Gisele Alves reforçaram, em suas falas, que a vítima não demonstrava qualquer inclinação suicida, e que planejava se separar devido a infidelidades do marido, que controlava seus hábitos e comunicações.

O Caso Criminal e Acusações de Feminicídio

Paralelamente ao processo administrativo, Geraldo Neto responde judicialmente por feminicídio e fraude processual. O Ministério Público (MP) acusa o tenente-coronel, de 53 anos, de ter assassinado Gisele, de 32, com um disparo na cabeça, e subsequentemente simulado um suicídio. Gisele era mãe de uma criança de sete anos, fruto de um relacionamento anterior.

A defesa, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, nega as imputações, sustentando que a própria soldado teria tirado a própria vida após um pedido de divórcio por parte de Neto. Contudo, laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP sugerem que o oficial teria segurado a cabeça da vítima antes do tiro e alterado o local do crime, buscando dissimular os fatos. O tenente-coronel está preso preventivamente desde 18 de março.

É importante destacar que o procedimento administrativo no Conselho de Justificação prossegue independentemente do desfecho da esfera criminal. Mesmo sem uma condenação penal, o colegiado – formado por três coronéis – tem autonomia para analisar as evidências, ouvir as partes e emitir um parecer sobre a permanência do militar na força. Em caso de incompatibilidade, o processo será encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar (TJM), que poderá ratificar a perda de posto e patente. Caso seja condenado na esfera criminal, a Justiça poderá determinar uma indenização mínima de R$ 100 mil à família da soldado.

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