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FMI Alerta Sobre Impactos de Energia, Dívida Pública e IA no Crescimento Global

Logo do Fundo Monetário Internacional em sua sede, em Washington  • 24 de novembro de 2024. R...

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, emitiu um alerta nesta quarta-feira (7) sobre as ameaças que pairam sobre a economia mundial. Entre os principais fatores de preocupação, destacou a persistência de preços elevados da energia, o endividamento público atingindo patamares históricos e os riscos inerentes ao rápido avanço dos investimentos em inteligência artificial. Georgieva enfatizou a necessidade urgente de os governos adotarem medidas protetivas tanto na política fiscal quanto na monetária.

Divergência de Forças no Cenário Econômico

Em um discurso proferido como antecipação às reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, agendadas para a próxima semana em Bangcoc, a dirigente do Fundo descreveu um cenário global puxado em direções opostas. Por um lado, há um impacto negativo na oferta de energia, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio. Por outro, um choque positivo na demanda, estimulado pela inteligência artificial, que, paradoxalmente, contribui para a elevação da inflação. Georgieva ressaltou que a combinação dessas forças gera um impacto altamente desigual entre as diferentes regiões do mundo.

Projeções de Crescimento e Cenários de Conflito

As novas projeções de crescimento do FMI, que serão divulgadas durante os encontros em Bangcoc, devem indicar revisões significativas para baixo em economias gravemente afetadas por conflitos. A Ucrânia, que enfrenta severos danos à sua infraestrutura civil e econômica, e nações do Golfo, impactadas por ataques e uma diminuição acentuada nas exportações de energia, estão entre as regiões mais vulneráveis. Contudo, Georgieva não adiantou se o relatório ‘Perspectiva Econômica Mundial’ modificará a previsão geral de crescimento global para 2026, anteriormente fixada em 3,0% em julho, com uma projeção de recuperação para 3,4% em 2027.

A estimativa anterior baseava-se na suposição de que o Estreito de Ormuz seria reaberto em meados de julho, com retorno às condições pré-guerra até março de 2027, e que os preços do petróleo se manteriam em média em US$ 89 por barril em 2026 e US$ 78 em 2027.

Pressão Contínua nos Preços da Energia

Contrariando as projeções anteriores, os preços do petróleo permanecem em torno de US$ 100 por barril. A capacidade de refino reduzida adiciona um custo de aproximadamente US$ 100 nas margens de ‘crack-spread’ por barril para produtos essenciais como o diesel. A demanda por energia será ainda mais impulsionada pela temporada de aquecimento no Hemisfério Norte, enquanto a oferta de gás natural continua restrita devido às ameaças ao transporte de GNL pelo Estreito de Ormuz. A diretora do FMI alertou que, mesmo com o término iminente de conflitos na região do Golfo, o problema dos preços elevados da energia deve persistir por um período considerável, com contratos futuros do petróleo Brent sinalizando valores altos até 2027.

Essa elevação nos custos energéticos está diretamente ligada ao aumento da inflação, das taxas de juros de referência e dos rendimentos dos títulos. Títulos soberanos de 10 anos de países como Estados Unidos, Alemanha e Japão já atingiram os níveis mais altos desde 2007, 2009 e 1996, respectivamente, e continuam em trajetória ascendente.

O Desafio da Dívida Pública Global

Um dos principais temas a serem debatidos pelos 191 países membros do FMI é o fardo crescente da dívida pública. Este endividamento excessivo não apenas freia o crescimento econômico, mas também intensifica as pressões inflacionárias. O FMI indica que a dívida pública global alcançou seu patamar mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial, com a expectativa de ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) antes de 2030.

Georgieva identificou as economias avançadas, especialmente os Estados Unidos, como os maiores responsáveis por esse cenário de endividamento, apresentando índices de dívida em relação ao PIB superiores aos de mercados emergentes e países de baixa renda. Ela salientou que as autoridades não podem mais depender apenas de taxas de crescimento elevadas para resolver questões fiscais.

A diretora criticou a ausência de ações decisivas nas economias avançadas altamente endividadas, onde a prioridade deveria ser a implementação de planos de consolidação fiscal de médio prazo que sejam críveis. Essas medidas, em alguns casos, deveriam ser complementadas por intervenções fiscais imediatas para aliviar a pressão sobre a política monetária. Georgieva ainda observou que, após cinco anos e meio de inflação acima da meta, as pressões inflacionárias continuam evidentes.

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