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Exposição em São Paulo Explora o Sincretismo de Cosme e Damião

© acervo de Ludmilla Pomerantzeff

Em São Paulo, uma exposição inédita mergulha no universo do sincretismo religioso brasileiro, tendo como foco a figura de Cosme e Damião. Intitulada “Cosme e Damião ─ diversidade e coexistência”, a mostra foi inaugurada em um sábado, na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. A exposição oferece ao público a oportunidade de explorar diferentes interpretações da história desses santos católicos.

A exposição reúne peças dos séculos 18 e 19, provenientes da Europa, Ásia e do Nordeste brasileiro, integrando o acervo de Ludmilla Pomerantzeff, figura de destaque no estudo da temática religiosa no Brasil. Além disso, esculturas africanas e um ícone ortodoxo da Coleção Ivani e Jorge Yunes complementam a mostra.

Os visitantes podem apreciar imagens de arte sacra erudita e popular, que ressaltam as origens mestiças e o sincretismo religioso, colocando os irmãos em diferentes tradições e coexistências religiosas.

Cosme e Damião, originalmente conhecidos como Acta e Passio, eram gêmeos nascidos na cidade de Egeia, na Arábia, no final do Século 3 d.C. Médicos formados na Síria, eles se tornaram populares por exercerem a medicina gratuita, sendo chamados de anárgiros, termo grego que significa “avessos ao dinheiro”.

Devotos da fé cristã, Cosme e Damião ganharam notoriedade pela caridade e cura de enfermos, buscando o bem-estar espiritual das pessoas e convertendo-as ao cristianismo. Perseguidos e acusados de feitiçaria, resistiram a diversas torturas.

O culto aos gêmeos médicos chegou ao Brasil em 1530, trazido pelo capitão-donatário Duarte Coelho Pereira. No Nordeste, passaram a ser invocados como proteção contra contágios e epidemias. Considerados protetores dos farmacêuticos e cirurgiões, são lembrados em partos de gêmeos ou contra feitiços.

No século 19, o sincretismo das religiões de matriz africana popularizou Cosme e Damião, especialmente entre as comunidades negras no Brasil.

De acordo com o curador da exposição, Rafael Schunk, a mistura religiosa afro-brasileira uniu doutrinas e crenças heterogêneas, acomodando diferentes elementos culturais diante de um sistema colonial que limitava a liberdade de culto. Schunk destaca a associação entre os irmãos médicos mártires e os gêmeos Ibejis da cultura iorubá.

Nas religiões africanas, principalmente na umbanda, encontra-se a figura de Doum, que representa um terceiro irmão dos santos e uma terceira criança após os gêmeos Ibejis. Doum personifica o espírito infantil das crianças de até 7 anos. A partilha de brinquedos e doces nas festas de Cosme e Damião é comum nas religiões de origem africana, em veneração aos Erês, entidades que vivem uma infância eterna.

A exposição demonstra a conexão, diversidade e coexistência inter-religiosa, do catolicismo à exaltação das africanidades. Além de peças da Europa e Ásia, o público pode apreciar obras do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, que dialogam com as raízes sincréticas.

A exposição está aberta de terça a domingo, das 10h às 17h30, na avenida Morumbi, 4077. A entrada é gratuita às terças-feiras, e nos demais dias os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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