
Uma ação de restauração socioecológica foi concluída na Terra Indígena Kadiwéu, em Mato Grosso do Sul, com o plantio de 425 mudas de pau-santo (Bulnesia sarmientoi). A iniciativa visa proteger essa espécie ameaçada de extinção e promover o desenvolvimento econômico da comunidade indígena.
O pau-santo possui grande importância cultural para o povo Kadiwéu, cuja resina é utilizada na produção de cerâmicas tradicionais. O projeto buscou plantar as mudas em áreas prioritárias para a restauração pós-incêndio, com parte delas sendo alocadas próximas às residências, especialmente das ceramistas, para facilitar o acesso à matéria-prima e apoiar a preservação tanto da cultura quanto da espécie.
A iniciativa faz parte do projeto Elegigo, que foca na conservação, restauração ecológica e cadeia produtiva de plantas nativas de interesse indígena no Pantanal. A ação se destaca em diversas áreas: social, pelo envolvimento da comunidade indígena; ambiental, pela proteção de uma espécie rara e ameaçada; cultural, pelo uso da resina da árvore na cerâmica tradicional, gerando renda para as artesãs; e científica, pela produção inédita das mudas.
O mapeamento das áreas de plantio contou com o apoio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e de laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da UFMS.
O pau-santo é fundamental na produção de cerâmicas envernizadas, pois a resina obtida do cozimento da madeira é utilizada para produzir a cor preta presente nos grafismos das peças. A espécie é considerada um patrimônio do Pantanal, do Chaco e de Mato Grosso do Sul.
A ocorrência do pau-santo no Brasil se restringe ao Pantanal Chaquenho e a Mato Grosso do Sul. Em 2022, durante o projeto, foi feito o primeiro registro de frutos maduros no país, e em 2023, o primeiro registro de flor, por um brigadista.
Devido ao seu crescimento lento, à pouca produção de sementes e à exploração da sua madeira densa, o pau-santo é classificado como globalmente ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A espécie também está listada na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, que regula seu comércio internacional.
Estudos indicam que as mudanças climáticas representam uma grande ameaça para a espécie, reforçando a importância de ações de conservação e restauração. A conservação de espécies ameaçadas tem impacto positivo em todo o habitat, beneficiando diversas outras espécies em conjunto.
A atividade contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), membros da comunidade Kadiwéu e brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Ibama.
Fonte: g1.globo.com
