
Um novo estudo revela que a utilização de um comprimido único para o tratamento do HIV se mostrou tão eficaz quanto ou até superior ao tratamento convencional atualmente utilizado para controlar a infecção. A pesquisa foi publicada em fevereiro na revista The Lancet.
Resultados do Estudo Internacional
O regime experimental avaliado combina doravirina e islatravir em uma única pílula diária, demonstrando maior eficácia na manutenção do tratamento do HIV em comparação ao protocolo tradicional, que envolve de um a três comprimidos e utiliza uma combinação de dois a três tipos de antirretrovirais, dependendo da fase da infecção.
A pesquisa incluiu 553 voluntários de oito países, todos já em tratamento contra o HIV há pelo menos três meses, que foram monitorados por 48 semanas. Os resultados indicaram que 98,6% dos 368 participantes que tomaram o novo comprimido mantiveram a carga viral indetectável ao final do estudo. Isso significa que a infecção é controlada e não é transmissível. Em contraste, a taxa de indetectabilidade no grupo que usou o tratamento padrão à base de INSTIs foi de 95,1%.
Implicações para o Tratamento do HIV
De acordo com o infectologista Moacyr Silva Júnior, do Hospital Israelita Albert Einstein, a relevância deste estudo não reside apenas na possibilidade de substituir os tratamentos existentes, mas sim na ampliação das opções terapêuticas contra o HIV. “São resultados muito importantes, pois permitem a supressão viral e, caso o paciente desenvolva resistência, novas alternativas poderão ser utilizadas”, afirma.
A transição para uma pílula diária pode facilitar a adesão ao tratamento, reduzindo o risco de esquecimento na administração dos medicamentos. Contudo, o estudo revelou um aumento nos efeitos colaterais para aqueles que utilizaram o novo regime em comparação aos usuários de INSTIs. Apesar disso, não houve um aumento significativo na necessidade de interromper o tratamento.
Cenário Atual do HIV no Brasil
Quando o HIV é mantido em níveis indetectáveis, ele se torna não transmissível e não causa doenças ao paciente. Dados do Ministério da Saúde indicam que 86% dos brasileiros em tratamento para o HIV estão nessa condição indetectável. Silva Júnior ressalta que esse é um resultado positivo, fruto do trabalho realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que tem buscado diversificar as opções terapêuticas para a população.
O estudo sinaliza uma simplificação e diversificação das estratégias terapêuticas disponíveis no Brasil. “Estamos vivenciando uma revolução no tratamento do HIV, utilizando menos medicamentos e explorando novas alternativas para contornar a resistência viral. Este avanço é mais um importante passo nas descobertas no combate à doença nas últimas décadas”, conclui Moacyr Silva.
