PUBLICIDADE

Operação no Ceará Desmantela Rede de Comunicação de Facção Criminosa e Detém Advogados

Arquivo SVM

Dois advogados foram detidos na sexta-feira, 9 de fevereiro, durante a Operação “Elo Oculto”, uma iniciativa do Ministério Público do Ceará (MPCE). O objetivo da ação é investigar um suposto esquema de comunicação ilegal que ligava um líder detido do Comando Vermelho (CV) a outros membros da facção que se encontram em liberdade, no Ceará.

A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), cumpre um total de oito mandados judiciais, sendo quatro de prisão e quatro de busca e apreensão. Até o momento, as identidades dos profissionais da advocacia que foram alvos da operação não foram reveladas pelas autoridades.

De acordo com informações do MPCE, os indivíduos investigados são suspeitos de manter conexões com Geovane Diogo Silva Oliveira, identificado como uma figura proeminente da organização criminosa em âmbito local, que já se encontra sob custódia. A esposa de Oliveira, que estava em liberdade, também foi alvo das medidas policiais. As investigações indicam que ela e Geovane intermediavam os contatos com os advogados, que são suspeitos de usar sua prerrogativa profissional para a prática de crimes.

Escopo da Ação e Alvo do Esquema

Os mandados foram executados em diversas cidades cearenses, incluindo Caucaia, Fortaleza, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante. A operação conta com o suporte da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

O promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto explicou que as diligências identificaram uma complexa estrutura de repasse de mensagens, diretrizes e informações do interior do sistema prisional para colaboradores em liberdade. Este mecanismo teria permitido ao líder da facção manter a coordenação de suas atividades criminosas mesmo enquanto estava detido.

A finalidade primordial da operação é desarticular este sistema de comunicação e impedir que as unidades prisionais sejam utilizadas como centros de comando para ações de organizações criminosas. As investigações prosseguem para identificar e localizar quaisquer outros indivíduos que possam estar envolvidos neste esquema ilegal.

Histórico do Líder Geovane Diogo Silva Oliveira

Geovane Diogo Silva Oliveira possui um histórico de envolvimento em investigações de grande repercussão. Ele é mencionado no contexto da Chacina do Benfica, ocorrida em Fortaleza no ano de 2018. Na época, Oliveira era apontado como o principal alvo de criminosos que buscavam retaliação pela morte de um indivíduo ocorrida aproximadamente um mês antes do massacre.

Segundo os levantamentos sobre o caso, os responsáveis pelo ataque receberam informações de que Geovane, também conhecido pelo apelido “Geo”, estaria na Praça da Gentilândia na noite do episódio. Embora ele não tenha sido localizado no local, seu primo, José Gilmar de Oliveira Júnior, conhecido como “Júnior Biba”, foi assassinado, tornando-se a primeira vítima da chacina.

Em 2019, dois homens acusados de participação direta no massacre foram julgados e condenados a penas que somam 189 e 170 anos de prisão, respectivamente, em decorrência dos crimes cometidos.

Leia mais

PUBLICIDADE