
Recentemente, o envolvimento de empresas durante a ditadura militar no Brasil começou a ser exposto. A Nestlé, uma das multinacionais investigadas, aparece em relatos que conectam a companhia ao regime de repressão.
Podcast Revela Vínculos da Nestlé com o Regime Militar
O segundo episódio da nova temporada do podcast ‘Perdas e Danos’, intitulado ‘Caixa’, investiga a relação da Nestlé com a ditadura brasileira, destacando registros que evidenciam o apoio da empresa ao regime.
Documentos mantidos no Arquivo Nacional mostram que Gualter Mano, na época presidente da Nestlé Brasil, fez doações ao IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, que, sob a influência de empresários e militares, foi fundamental para a preparação do golpe de 1964.
Além disso, a multinacional também é mencionada no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que detalha a contribuição de empresas ao financiamento de operações de repressão, como a OBAN, responsável por práticas de tortura durante o regime.
O relatório descreve um evento em que banqueiros e empresários, incluindo representantes da Nestlé, contribuíram com fundos significativos para fortalecer o aparato repressivo.
Oswaldo Ballarin e os Vínculos com o Regime
Oswaldo Ballarin, executivo influente da Nestlé entre 1971 e 1978, é um nome central nessa história. Após um jantar onde foram arrecadados fundos para a repressão, Ballarin foi homenageado por oficiais do Exército por seu apoio ao regime.
Ballarin, que também ocupou cargos na Brown Boveri, teve acesso privilegiado a decisões governamentais e foi convocado para defender a Nestlé em uma audiência no Senado dos EUA a respeito de práticas de marketing do leite em pó, que resultaram em controvérsias relacionadas à saúde infantil.
A Brown Boveri, empresa com forte atuação em projetos de engenharia no Brasil, fez parte de um consórcio envolvido em grandes obras, como a Usina de Itaipu, e também enfrenta alegações de corrupção.
Atuação da CIA e a Vigilância de Trabalhadores
Ballarin é acusado de ter contratado a CIA, Consultores Industriais Associados, que, apesar de compartilhar sigla com a agência de inteligência americana, operava na vigilância de trabalhadores e na organização de recursos para os aparatos de tortura do Estado.
A pesquisa que trouxe à tona essas informações foi realizada por Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne, que analisou documentos da Brown Boveri na Suíça.
